As minhas corridas na estrada

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Uma prova justa

Há uns tempos li no perfil de Facebook do Luís Mota, aquando da participação dele na Maratona de Madrid, que a Maratona é uma prova justa, e por isso a sua paixão pela distancia. Gostei muito da frase, que me ficou logo na cabeça. A Maratona é, sem dúvida alguma, uma prova justa. A mais justa! Não é uma prova que dê espaço a inspirações momentâneas, ou heroísmo de recta da meta. É muito simples, se treinas corre bem, se não treinas prepara-te, a senhora não faz prisioneiros!

Pela sexta vez estou na semana anterior a correr uma maratona. O que uma pessoa passa durante estes 5 dias é difícil de explicar por palavras. Por ser a sexta vez até podia ser menos intenso que a primeira ou a segunda, mas não, é sempre uma experiência muito forte. Foram muitas semanas a pensar no objectivo, muitos quilometros, ilusões, desilusões... Treinos e mais treinos, uns com prazer outros com (muito) sacrifício, a poucos dias de culminar. Vai ser no sábado, às 19:30, que vou correr a minha sexta maratona. A ING Luxembourg Night Marathon. 


Na semana anterior a Sevilha fiz aqui um post onde mostrava orgulhosíssimo o meu plano de treino cumprido quase escrupulosamente, com todos os treinos técnicos e longos feitos, cumprido na perfeição. Treinei bem, muito bem até! E, claro, a Maratona foi justa comigo! Bati o meu record pessoal e fiz a melhor corrida da minha vida.

Para Sevilha foi assim, bom. Para o Luxemburgo não. Para o Luxemburgo correu quase tudo mal! Desde uma má recuperação de Sevilha, uma bronquite, um problema na anca só resolvido há uns dias e de andar as ultimas 3 semanas a servir de receptáculo para tudo o que é virose que a minha querida filha trás da creche (febres, diarreia, vómitos, you name it!), a juntar a uma falta de motivação crescente, desta vez treinei mal, muito mal até! Só um pequeno termo de comparação, em semanas iguais corri 893km para Sevilha e 737km para o Luxemburgo, menos 160! Não tenho dúvidas que a senhora Maratona não vai deixar de ser justa comigo, mas felizmente a nossa relação já tem alguns anos, já a conheço minimamente e vou respeitá-la desde o inicio. Depois dos 4.45min/km impostos e cumpridos à risca em Sevilha, vou apontar para os 5.20min/km no Lux. Único objectivo: aproveitar os 42.195km do primeiro ao último metro!


Esta corrida tem a grande novidade para mim de ser feita à noite. Estou muito curioso por saber se o corpo vai reagir de maneira diferente e ainda não sei bem como vou fazer em termos de alimentação no próprio dia. De resto, pelo que tenho lido, a prova tem tudo para ser inesquecível. É toda corrida dentro da cidade, com algumas subidas e descidas, muita muita gente na rua, e um final apoteótico num pavilhão coberto. Estou ansioso pela partida, mas a tremer de medo de estar um senhor com uma marreta à minha espera lá para os 30km!


Ah, os geis foram a primeira coisa a entrar para a mala! :)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Stephane B.

Nas próximas semanas vou deixar o meu blog e deixar isto entregue ao Stephane. E quem é este Stephane? Perguntam vós. Bem, é o senhor que no dia 31 de Maio vai correr a Maratona do Luxemburgo com uma camisola da Associação 20km de Almeirim.

Pois é, pela primeira vez vou a uma corrida com o dorsal de outra pessoa. Acontece que uma amiga emigrada no Luxemburgo (que por acaso até nos vai acolher) trabalha no banco patrocinador, o ING, e conseguiu-me esta inscrição. Como não sou pessoa de levar uma coisa destas de ânimo leve, decidi encarnar totalmente a personagem, e nos próximos tempos vou formar a personalidade do Stephane. 

Para começar, a imagem:

Resultado da pesquisa por Stephane B. no Google. Muito bom! ahahah

Ok, já começamos bem! Tanto pra dizer desta foto, cum caraças!

Entretanto, e passados 2 meses e meio de Sevilha, tive a minha primeira semana boa de treinos! Finalmente uma semana que correu bem. No total foram 80km, incluindo um dia com 8x800 (3.50min/km) e outro com um tempo run de 30 minutos (4.10min/km). Só o longo é que ficou um pouco a desejar com 29km (5min/km), bati numa parede aos 25km... Tudo ainda longe da forma que tinha para Sevilha, mas pelo menos deixou-me mais animado e confiante que talvez consiga cumprir o objectivo para o Lux: única e exclusivamente acabar bem disposto.

Neste momento já só quero que chegue o dia para poder desligar umas semanas deste plano de treinos. É a terceira maratona em 7 meses, e desde Julho do ano passado que só penso nos 42.195km. Estou cansado física e psicologicamente. Ainda por cima o trail de Sesimbra deixou-me cheio de vontade de me meter em trilhos, e acho que é exactamente o que preciso para voltar a animar. Com esta euforia toda dos trilhos até já fiz uma promessa a mim próprio -  a partir de dia 1 de Junho de 2014 eu, Filipe Torres (nessa altura o Stephane já foi à vida dele), vou começar afincadamente a fazer treinos de reforço muscular!!

domingo, 4 de maio de 2014

Trail de Sesimbra - Fim de Semana perfeito!

Depois de duas experiencias nos trilhos que não me deixaram as melhores recordações, ontem foi o dia de tentar uma reaproximação. 


Não, na realidade não foi o ultra, mas sim os 21km do trail de Sesimbra. A minha primeira experiencia tinha sido nos 30km da Serra da Lousã, em 2012, e a segunda nos 47km (que na realidade foram 50) o ano passado no Zêzere. Na Lousã gostei muito do trail, mas cometi erros quase infinitos numa prova que só por si já era muito difícil. Dos 30km só devo ter conseguido correr 3 ou 4. Completamente impreparado, levei um empeno tal que não fiquei com muita vontade de voltar. A segunda aventura foi o chamado caso de mais olhos que barriga. Ah, é pra fazer trail? Então manda-lhe aí com 47km e 2300D+ ver se no fim te aguentas em pé! Penei, e aqui já não me diverti mesmo nada.

Entretanto, com vontade de variar e também por causa do bombardear de relatos nos trilhos que vou lendo por aí e que me foram aguçando a vontade, decidi dar mais uma oportunidade ao trail. A prova escolhida foram os 21km de Sesimbra. Curta, numa cidade gira para passar um fim de semana na praia, e com um acumulado pequeno (+/-500m acho eu). Está decidido!

Já agora, eu gosto de provas de estrada, mas não sou fundamentalista. Na verdade, a maioria dos meus treinos são em terra, só não gosto muito é quando as provas são basicamente um suceder de muros para escalar, onde quase nem se corre. O que eu gosto mesmo é de correr, e não há duvida que correr no meio da natureza é infinitamente melhor que no alcatrão. 

Voltando a Sesimbra. A prova, organizada pelo Mundo da Corrida, tinha uma parceria com o Hotel do Mar, que oferecia uma noite em quarto duplo a um preço convidativo (na verdade continuava a não ser assim tão barato, mas enfim), e aproveitamos para ir os 3 logo na sexta feira para preparar o ponto alto do fim de semana. Não, não era a corrida, era a primeira vez da Maria Amélia na praia! Depois de semanas e semanas de treino duro, com muita mentalização, um plano seguido ao pormenor, estava chegado o dia!

Uma autentica Marathon des Sables a gatinhar

Houve ingestão de areia, chapinhar na água do mar e birra para dormir. Tudo conforme o planeado, um sucesso portanto!

Depois da aventura Mel na praia, o próximo objectivo passava por preparar a minha prova do dia seguinte. Era muito importante uma refeição equilibrada, ingestão de hidratos de carbono e muita hidratação. Acho que o objectivo foi cumprido.

Salada de polvo, canivetes, ameijoas, imperial.... Ah, o pão para a molhenga tinha hidratos de carbono, tá bom, não mexe!

Ainda nessa noite fomos levantar o dorsal, que era no hotel onde estávamos. Já agora, uma palavra menos boa para a organização neste aspecto. Para mim foi muito fácil porque já lá estava, mas o sitio para levantar os dorsais era de difícil acesso para quem chegava no dia da prova, ouvi muita gente a queixar-se disto. 

Depois de uma noite complicada, talvez por causa das endorfinas (ou então do dente que está a nascer) da mais pequena, levantei-me hora e meia antes da partida, mesmo a tempo de ver a partida do pessoal da Ultra da varanda. Que luxo!

Era altura de ir tomar o pequeno almoço incluído no preço do quarto, e descontraidamente preparar tudo para me encontrar com os companheiros de Almeirim que viriam à prova. Ok, não foi com grande descontração. Por incrível que pareça, o hotel não permitiu late check out. Já fiquei várias vezes em hotéis com parcerias com as corridas e nunca me tinha acontecido isto, tivemos que preparar tudo antes de eu partir. Enfim, pormenores...

Tudo se resolveu, e às 9:20 lá estava com os meus companheiros pronto para a partida.

Aqui estão os campeões de Almeirim. Joel, David, Valter e Omar. A miúda não correu.

Pela primeira vez iria correr com sapatilhas de trail! Não havia era mochila ou cinto de hidratação, levei na mesma o cantil na mão, mas uma coisa de cada vez.

Ás 9:30 em ponto partimos, juntamente com cerca de 500 atletas (muitos!). Com muito calor, pouco vento e sol abrasador. Decidi seguir os conselhos que vou lendo por aí e desta vez fui muito ajuizado na minha corrida. Os primeiros 1.5km, em alcatrão, foram feitos a um ritmo baixo, e assim que chegámos às primeiras subidas caminhei, mesmo quando conseguia correr. Depois de uns estradões sempre a subir entrámos nos 6 ou 7km mais giros da prova. Sempre em arribas junto ao mar, com inclinações muito fortes e carreiros (vulgo single track) corriveis muito divertidos. Na primeira subida a pique formou-se logo uma fila. Eu sei que é uma situação normal, mas não achei muita piada a estar parado à espera... Fiz estas subidas mais agressivas obviamente sempre a caminhar, nem dava para correr, mas ao contrário do Zêzere senti-me sempre bem e fui subindo com uma passada vigorosa. As descidas mais técnicas foram muito divertidas, e aqui não há dúvidas que as sapatilhas de trail ajudam, e MUITO! Senti-me logo mais estável e com melhor tração. 

Chegados aos 11 ou 12km, deixámos para trás as arribas e entrámos numa secção mais plana da prova. Foram 3 ou 4km em estradões com subidas e descidas ligeiras que fiz sempre a correr, a um ritmo baixo claro está. Esta fase foi menos interessante. Depois de um terceiro abastecimento, e quando nos juntámos com o pessoal da caminhada, entrámos numa grande pedreira junto ao mar. Foi engraçado ver aquele contraste, mas rapidamente se tornou monótono, com os estradões larguíssimos, e com algumas subidas mais chatas onde caminhei. Ao quilometro 18 chegámos ao castelo de Sesimbra, depois de uma subida fortíssima feita a andar e onde aproveitei para meter conversa com alguns companheiros. Dentro do castelo fizemos o ultimo abastecimento. No total foram 4 ou 5 abastecimentos, este ultimo foi o mais completo, os outros eram pobres, mas também numa prova de 21km penso que não havia necessidade de mais. Em todos os abastecimentos enchi ou troquei a água do meu cantil, fiz questão de beber mesmo quando não tinha sede, o calor apertou e bem!

Estava então na recta final da prova. Sentia-me bem fisicamente e psicologicamente, não me tinha custado muito chegar ali e já só faltava um esticãozinho. Sempre a descer do castelo até à praia. Curiosamente foi das melhores partes da prova! Uma descida não muito técnica, cheia de desafios e muita sombra! Finalmente sombra! No resto da prova só havia vegetação baixa. Foi sempre a abrir até lá abaixo, senti-me um verdadeiro Killian Jornet a descer! Só os dedos dos pés a latejar de estar sempre a travar é que me lembravam que secalhar não era Killian nenhum eheh.

Na chegada lá estavam os meus companheiros a aplaudir, que já tinham chegado há séculos! Um deles, o Omar, foi 8º da geral e o David foi 14º! Brutal! Estava também a Sara com a Mel ao colo a tirar fotos. Fiquei muito satisfeito com a prova que tinha feito e esta recepção deixou-me realmente feliz, como se pode ser na foto eheh. 


Terminei a modesta participação com 2h20 nos 21km. Apesar disso, senti que foi uma verdadeira vitória porque me diverti muito no percurso, e deixou-me cheio de vontade de participar noutro. Agora era altura de rumar ao ultimo abastecimento, na meta, e iniciar o tratamento de crioterapia - mergulhar na água gelada de Sesimbra. E que bem que soube!

Esticópeito, encolhabarriga!

Na chegada era suposto os atletas terem recebido uma lembrança pela participação, e aqui a organização falhou e bem.. Só soube deste prémio porque fiquei na praia quase até às 16, e entretanto ouvi o speaker dizer que tinha havido um lapso, para os atletas irem lá pedir a tal lembrança. É claro que a maioria das pessoas já tinha ido embora. Fica aqui uma foto, por acaso era bem giro. 


No tempo em que estive na praia a seguir à prova ainda tive tempo de ver o super Luis Mota a vencer o ultra (52km) e os grandes Isa e Victor a terminarem os 21km! Vinham com cara de quem sofreu e muito com o calor, espero que tenham gostado da prova...

Um grande fim de semana, uma boa prova, familia, amigos, praia... Não fica muito melhor que isto :)




quinta-feira, 1 de maio de 2014

15km de Benfica do Ribatejo - O relato

Hoje foi dia de correr os 15km de Benfica do Ribatejo. Ainda há pouco tempo falei aqui desta prova, por isso não me vou alongar muito a apresentá-la. Às 9:30 lá estavam os cerca de 150 atletas para correm as duas provas do dia: 15 e 5km.


Esta é uma prova especial para mim, porque estou quase literalmente a correr em casa, o percurso passa 3 vezes pela casa dos meus pais. Para o ano vou sugerir que se dê uma volta lá ao quintal eheh. Na altura em que escrevo este post (teve que ser logo a seguir à prova, depois entro em estágio para o Benfica) ainda não haviam resultados, mas tenho quase a certeza que a maioria dos presentes eram atletas do concelho, o que me deixa por um lado orgulhoso, mas gostava que mais gente de fora viesse, como acontece na prova rainha do concelho, os 20km de Almeirim.

Nesta 2ª re-edição da prova, a grande novidade em relação ao ano passado era o percurso misto alcatrão / terra. Dos 15km, cerca de 5km eram corridos em estradões de areia e terra batida que passavam no meio de vinhas, campos de cultivo, e terrenos agrícolas da freguesia. Esta foi uma sugestão popular, a qual apoiei a 100%, que procurava diferenciar a prova dos outros milhares que existem em Portugal. No entanto há que admitir: aumentou bastante o nível de exigência do percurso. Os estradões eram pouco de terra batida e muito de areia. Sim, areia solta, daquela que dá cabo de nós!

A minha passagem por um dos tais estradões

Quanto à minha prova, foi tranquila e de acordo com as minhas capacidades físicas no momento. Comecei a um bom ritmo, que consegui aguentar bem até cerca dos 7km, quando começámos a andar na areia. Aí baixou logo 20 a 30 segundos por quilometro, além de me ter cansado muito mais. Cheguei aos 10km com o tempo exacto planeado apesar deste abrandamento, muito por causa de uns primeiros 5km muito rápidos. Depois os últimos 5 foram feitos contra um vento muito forte, e dois deles na difícil areia solta. Cheguei à meta com 1 hora certa no relógio, o que é um tempo excelente para mim aos 15km! O problema é que a prova não tinha 15km, mas 14.670 eheh. Pelo ritmo a que ia é provável que demorasse pelo menos 1m30s a fazer aqueles 330m, ficando abaixo da 1h02 (média de 4.08min/km), o que para mim também não é nada mau. O que não me deixou nada satisfeito foi a porcaria da anca que voltou a dar-me uns toques... Nada de especial, mas há sempre ali aquela mosquinha a chatear! 

Em relação à corrida, gostava de deixar aqui alguns destaques. O primeiro para a Ana Duarte, a nossa campeã Almeirinense que venceu pela segunda vez a geral feminina. Depois para o João Fulgêncio, um avião de Almeirim que ainda no fim de semana passado se sagrou vice campeão regional dos 10000m, com o fantástico tempo de 33'48''49, terminou em 4º da geral, apesar de ter tido algumas dificuldades a meio do percurso (algo que me diz que a evolução dele vai ser brutal e surpreender muita gente). E finalmente um destaque ao grande Luis Mota. Sim, esse mesmo, o campeão do trail que ainda no domingo passado correu a maratona de Madrid em 2h46! Esteve em Benfica e terminou com um tempo excelente. É incrível a perseverança deste atleta, um exemplo para todos nós!

Aqui estão fotos dos três. Luis Mota, Ana Duarte e João Fulgêncio, respectivamente.



 



Para terminar, queria deixar algumas sugestões à organização, que sei que vão ler este post. Para que as pessoas da freguesia façam parte da prova, acho que é essencial que o percurso passe pela estrada principal de Benfica, a EN118. Eu sei que é complicado, mas acho que é um esforço que tem que ser feito! Sugeria por exemplo que passasse lá logo no primeiro km, os atletas ainda vão juntos e não acredito que estivesse cortada mais que 20 minutos. A segunda sugestão prendesse com o dia da prova. O Festival Internacional de Folclore do Concelho de Almeirim (FIFCA), que acabou o fim de semana passado, é o grande acontecimento anual da freguesia, não seria boa ideia fazer os 15km como parte do programa do FIFCA? Com grupos de dança e música em alguns pontos do percurso dentro de Benfica e dos Cortiçois, acho que era excelente! Por ultimo, uma sugestões que preferia não ter que dar. Este ano houve alguns problemas com atletas que se enganaram no percurso nalguns cruzamentos. Estes problemas eram facilmente evitados se estivesse alguém da organização nestes sítios. Tenho a certeza que para o ano vai ser ainda melhor, podem contar com a minha ajuda para o que for preciso!

Bom, quanto a mim, agora é tempo de recuperar em tempo record e ir correr os 21km do trail de Sesimbra no sábado, tentar mais uma aproximação aos trilhos :) Até lá!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Longar em Almada...

...ou o dia em que eu me armei em esperto.

Este já é o meu logo preferido de uma corrida, muito bom!

Este domingo fui fazer pela primeira vez a Meia Maratona de Almada, que vai na sua segunda edição. Haviam duas grandes razões para estar entusiasmado com esta prova: primeiro a avalanche de boas criticas depois da primeira edição, e segundo porque Almada, e particularmente aquela zona a Oeste da A2 me diz muito. Passei lá quase 7 anos da minha vida, quando estava a estudar na FCT, no Monte da Caparica. Como deverão saber, ando a cumprir um plano de treino para a Maratona do Luxemburgo, e este fim de semana tinha um longo de 31km para fazer, assim aproveitei o dia e fiz o longo em Almada. O plano era correr 10km antes da partida, chegar à meta exactamente às 10:30 e partir para a meia maratona, isto tudo ao ritmo descansado dos meus treinos longos, nada de loucuras. 

Passei a noite de sábado com a Sara e a Mel no meu centro de estágios em Loures - em casa do João e da Maria, meus cunhados. O João era para me ter acompanhado, mas uma gripe levou a melhor e teve que passar. Acabei por ir sozinho no domingo para Almada, e uma hora antes da partida tinha o carro estacionado e estava a alongar ao pé da sereia do Fórum.  Para a primeira parte do treino pedi ajuda ao Fernando (Corro Logo Existo) que me enviou um mapa impecável com os acessos ao Parque da Paz. Foi lá que corri os tais 10km. Não conhecia este parque mas fiquei adepto. Muita sombra, muita relvinha, bons e variados caminhos, hipótese de dar uma volta quase sem desníveis ou até nos aventurarmos por uns carreiros mais acidentados. Andei por lá +/- 9km às voltas, e só não aproveitei mais porque passei o tempo a olhar para o relógio e a sentir ansiedade pelo inicio da prova. Eram 10:20 e estava na hora de ir para a partida. A ideia era não parar de correr, nem que tivesse que partir em ultimo. Ainda andei feito barata tonta às voltas perto da partida mas eventualmente tive que parar. Foi cerca de um minuto, nada de especial. Às 10:30, e exactamente 10km depois, estava iniciada a minha primeira Meia Maratona de Almada.


A zona da partida estava impecavelmente organizada. Parti sem qualquer sobressalto ou atropelamento e rapidamente meti o passo que queria. Reparei que os atletas da prova de 10km partiram bastante depois da Meia.Vou começar já por dizê-lo, correndo o risco de me repetir vezes sem conta no resto do texto: adorei este percurso! Sempre muitíssimo variado. Ora estávamos a correr em ruas estreitas com muitas curvas, ora no meio de árvores, a seguir descíamos a um estaleiro naval, depois novamente cidade, sempre com muitas subidas e descidas... Enfim, nunca foi um percurso monótono, raras foram as vezes com que nos cruzámos com os atletas que vinham mais atrás, sempre com gente a apoiar, bandas de percussão no caminho e palavras de incentivo constantes de elementos da organização ao longo do percurso. Muito bom.

Como perceberam, esta não era uma prova normal para mim. Foi encarada literalmente como um treino. Esta preparação para a maratona está a ser a pior de todas as que fiz. Juntando alguns problemas de saúde com princípios de lesões e principalmente falta de motivação, a coisa não tem corrido bem, principalmente nos treinos longos que têm sido um suplicio. Esta era portanto uma boa oportunidade de fazer um longo descansado. E tinha sido, se tivesse tido perninhas para ele! 

Assim que passámos os 3 ou 4km comecei a ficar sem vontade de estar a correr. O percurso era espectacular, assim como o ambiente, mas passava o tempo a olhar para o relógio a pedir pelo próximo quilometro. Tomei um gel logo no primeiro abastecimento aos 4km (o meu 14º), o que agravou as dores de barriga que já tinha. O ritmo que queria estava lá, mas não me sentia bem. A juntar às dores de barriga comecei a sentir-me com frio e arrepios, estava deserto que a prova acabasse e ainda ia no 8º quilometro!


Chegado ao km 9, depois do estaleiro da Lisnave, era altura de subir. E, meus senhores, metam subida nisso! Não deve ter sido menos que 1.5km sempre a escalar. Cheguei logo à conclusão que não será uma boa prova para records pessoais, mas também não tem que ser. Senti-me bem a subir e não quebrei muito o ritmo, mas o que estava cada vez pior era a minha barriga. Estava com muita sede (o tempo estava quente) e já ia com uns bons quilómetros, não queria desidratar, mas sempre que bebia um gole a coisa piorava. Pela primeira vez comecei a desesperar por uma daquelas casas de banho portáteis! Na tal subida por cada café que passava pensava "epah, entro num instante, faço o serviço e vou-me embora, ninguém há-de levar a mal! Não, espera, estamos a chegar ao km 10, há-de haver casas de banho!".

Nah, não havia... Não vou dizer que é uma falha da organização, sinceramente foi a primeira vez que tive necessidade delas, nunca reparei se não outras provas havia, mas que me tinha dado um jeitão lá isso tinha! Os quilómetros passavam e a coisa estava cada vez pior. Meu rico mato, já me encostado há meia hora e resolvido o assunto! Já tinha dificuldade em correr e tive que improvisar: passei por uma bomba da Repsol, e pumba, Fax enviado à terra. Ainda ouvi um gajo a dizer "atão? já tens que ir atestar??" ehehe.


Mais aliviado mas na mesma muito desconfortável lá segui caminho. Já tinha passado por isto em treino, a coisa não ia melhorar, ia ser um sacrifício até ao fim. Comecei a fazer a contagem decrescente logo aos 12km, entretanto já tinha 22 nas pernas e só queria que aquilo acabasse. A juntar à festa comecei a sentir dores fortes na anca outra vez (mau!). Bem, tá na hora de cerrar os dentes e acabar esta porcaria. Ao km 16 mais uma subida forte que me deu mais uma marretada na anca. Os últimos 3 foram um massacre, não estava com vontade nenhuma de correr. Mas lá os fiz. 

Passei a meta, parei o cronometro e sentei-me no lancil. Foi uma sensação agridoce. Estava completamente esgotado, mas cumpri o meu objectivo. 31.1km em 2h39, média de 5.09min/km, muito longe dos 4.50 com que corria os longos para Sevilha. Parece-me que esta maratona está cada vez mais condenada, vou lá mesmo só para tentar acabar. Incrível como num par de meses, praticamente sem abrandar, a minha forma desceu tanto. 

Fiquei com remorsos por não ter aproveitado esta excelente corrida como devia, mas para o ano não vou falhar de certeza. Quanto a pontos menos positivos só mesmo a questão das casas de banho (mais uma vez, nem sei bem se isto será negativo), alguns quilómetros não estarem marcados (eu sei que quase toda a gente tem relógios com GPS, mas ainda há pessoas que não os têm) e o pin no final, em vez de uma medalha (a prova ainda foi bastante cara, aquele crachá não tinha grande jeito). Mas estes pequenos reparos não apagam a excelência da prova, muitos parabéns a todos na organização!

Bem, e com isto tudo apercebi-me que devo ter escrito o meu post mais longo de sempre eheh. Para um treino longo e chato, um post longo e chato!



domingo, 20 de abril de 2014

Scalabis Night Race II

E na segunda edição, esta prova entrou definitivamente no meu top 3 de corridas! Ok, o nome é meio pomposo, não é aquela corrida clássica, à antiga, e o percurso não é propriamente bom para pensar em records: muita calçada escorregadia, muito empedrado e zonas completamente às escuras. Mas o resto dos ingredientes estão lá, e em grande escala. Uma cidade muito bonita e vestida de gala para o dia, muitas pessoas na rua a apoiar, organização a cargo de pessoas que correm e sabem o que fazem e principalmente um ambiente espetacular de festa e celebração. 


"Ah e tal, mas não eras tu que dizias que as corridas eram para ser corridas e festas são festas, não se deve confundir as duas?" Pois, é verdade, disse isso. Mas o que me agrada nesta SNR é que ambas as vertentes estão presentes sem nunca chocarem. Não é por acaso que esgotou passadas poucas semanas de abrirem as inscrições, e muito tempo antes do dia. Ah, outro ponto positivo, até pode ter havido a tentação de aumentar o número de inscrições, ainda bem que não o fizeram. Ao todo, na prova principal, terminaram 1259 atletas. Uma palavra também para o cuidado extremo da organização para os pormenores, principalmente no que respeita à imagem da corrida. Viu-se que houve muito cuidado com tudo, desde o design dos dorsais até aos cartazes da prova ou a pequenos e bem humorados letreiros no percurso.


O dia tinha tudo para ser perfeito. Toda a minha família das corridas estava presente, e até a Sara foi correr os 5km! Deixamos a miúda com os meus pais e lá fomos nós num grupo de umas 15 pessoas para a partida. Infelizmente esta parte não correu muito bem, como a corrida é no centro de Santarém haviam muitas estradas fechadas e acabamos por apanhar grande confusão no trânsito, chegamos mesmo em cima da hora e, mais uma vez, acabei por não aquecer nada antes da corrida.

Consegui posicionar-me bem lá à frente para a partida. Não que tenha algumas aspirações a chegar aos primeiros lugares, mas cada vez tenho menos vontade de partir na confusão e andar 1km ou 2 aos zigue-zagues. A partida deu-se depois de uma contagem decrescente em conjunto e lá fui eu.

Não sei se se lembram do meu último post, mas tenho andado com umas preocupações por causa de umas dores na anca. Esta semana passada treinei muito pouco, e na sexta feira experimentei a fazer umas séries de 200m à máxima velocidade pela primeira vez na vida. Duas conclusões a tirar deste treino: primeiro é muito mais difícil do que julgava, e segundo apercebi-me logo que para este tipo de provas os meus habituais fartleks mais longos para a maratona são muito pouco eficazes. Se um dia apostar num bom resultado nos 10km tenho que me dedicar a séries mais curtas. Enfim, o melhor de tudo é que não senti dores nenhumas de especial, o que me deu confiança para partir forte. 

E parti forte. Forte de mais, concluí pouco depois. Provavelmente por ter aquecido zero antes da partida, os 3 primeiros quilometros foram feitos com uma sensação muito desconfortável de que era impossível manter aquele ritmo. Como parti no meio dos tubarões, acabei por ir embalado pelo ritmo de toda a gente que estava à minha volta, e aguentei-me num passo impossível até +/- ao 4º km. Ah, já agora, entre o km 2 e 3, quando corria acima das minhas possibilidades, passou o Luis Mota, campeão nacional de trail, à velocidade da luz eheh e já era a segunda prova de 10km do dia para ele, tinha estado em Constância!

Do 4º aos 8º quilometro não passei lá muito bem. Baixei um bocado o ritmo, e se não fossem as dezenas de incentivos trocados com amigos quando nos cruzávamos acho que tinha ido ainda mais abaixo. Já agora, se algum destes amigos que me incentivou não obteve resposta, peço desculpa. Sou um bocado pitosga, e em esforço então acho que ainda vejo pior! De qualquer maneira, fartei-me de gritar "FORÇA!" "VAMOS" "CARREGA BENFICA!" "VAI VAI VAI". 

O bom das provas de 10km é que podemos ir num sofrimento grande, mas sabemos que acaba num instante e que a recompensa é excelente. Cerrei os punhos e recuperei alguns segundos perdidos naqueles 4km. Tinha como objectivo bater o meu record pessoal, e se nos primeiros 3 parecia que lhe ia tirar uma grande fatia, os outros a seguir meteram-me perigosamente perto dele, mas a coisa estava +/- controlada. 

Tal como no ano passado, o km 9 foi o melhor, com a passagem por dentro da Escola Prática de Cavalaria, de onde partiu o Salgueiro Maia no 25 de Abril. Mais uma vez estava a tocar o "E Depois Do Adeus" e mais uma vez ia praticamente sozinho.Senti logo os arrepios e ainda fiquei com mais força para o ultimo km. A chegada foi espetacular, centenas de pessoas a apoiarem os atletas numa grande praça central de Santarém.

O meu tempo? Bem... para mim foi bom :)


Consegui bater o meu record de 39:12 da São Silvestre de Lisboa, fiquei bastante contente por isso. 

Depois da corrida era altura de ir aproveitar a outra vertente da noite: a festa. Peguei nas senhas que a organização dava e fui buscar as minhas duas bifanas, pampilho e bebida. Como fui buscar logo a seguir a chegar, não demorei mais que 2 ou 3 minutos no processo, mas sei que muito pessoal demorou muito tempo nesta parte. Afinal de contas, eram quase 3000 pessoas ao todo, é ambicioso da organização este miminho, mas logisticamente não deve ser fácil.

Resumindo, foi uma noite impecável, passada com família e amigos. Gostei do meu tempo e gostei muito da prova. Para o ano de certeza não vou falhar.

O João, claramente mais bem vestido que o resto, André, eu, e o outro João (meu cunhado)

Bem, e depois da festa de ontem, e de ter escrito este post à pressa, vou rumar ao estádio da luz para a segunda festa do fim de semana. Boa páscoa para todos e.... CARREGA BENFICA!!! RUMO AO 33!!!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Nuvens Negras

Se há coisa que eu detesto é lesões. Epah, é que é um ódio visceral! Antes pisar m**** todos os dias ao entrar no carro para ir trabalhar do que andar com uma lesão qualquer. É coisa para me lixar a boa disposição, mesmo com o 33º já praticamente no bolso. 

Tudo começou há uma semana, no longo de há dois sábado atrás. Como se não bastasse o treino ter corrido pessimamente, fiquei com uma dor estúpida na anca. Nesse dia fui experimentar uns caminhos novos com um amigo, andei sempre por estradas de terra e pensei que pudesse ter sido algum mau jeito provocado por um buraco. Não há-de ser nada! Pensei eu.. Toca de treinar a fundo na semana passada. 83km culminados num longo de 31km, no sábado de manhã. O resto do dia mal conseguia andar, domingo com muitas dores e hoje com dores estou. Enfim, não lhe quero chamar já lesão para não agoirar, mas estou muito preocupado...

Entretanto a preparação para a maratona do Luxemburgo vai de mal a pior. Desde uma má recuperação de Sevilha, passando por uma bronquite e uma súbita e forte falta de motivação para os treinos longos, o plano tem sido cumprido muito precariamente e sempre em esforço. Na esperança de combater esta desmotivação entrei num frenesim de inscrições em provas para os próximos meses:


  • 19 de Abril - Scalabis Night Race (10km) - a ideia era bater o RP dos 10km, mas é já este sábado e não sei como estará a perna, é provável que a faça em ritmo descontraído como a do Benfica. Não sei se conhecem esta prova, em Santarém, mas apesar do nome pomposo, é das melhores que já participei! Um percurso urbano, dentro da bonita cidade de Santarém (se o meu "eu" de 16 anos me visse a dizer isto dava-me um calduço), com muita participação popular e que para mim culmina na passagem por dentro da Escola Pratica de Cavalaria, de onde partiu o Salgueiro Maia no 25 de Abril. O ano passado quando lá passei estava a tocar o "E Depois do Adeus" do Paulo de Carvalho. Tenho cá para mim como um dos melhores momentos da minha curta "carreira" de corredor.
  • 27 de Abril - Meia Maratona de Almada - Os longos são chatos, mas tenho que os fazer. Estou a planear um "aquecimento" de 10km no parque da paz antes da partida.
  • 1 de Maio - 15km de Benfica do Ribatejo - Já vos disse para virem a esta prova?
  • 3 de Maio - Trail de Sesimbra (21km) - a súbita desmotivação nos longos, em conjunto com a leitura semanal de relatos de provas de trilhos, fizeram-me dar uma nova oportunidade ao trail. A verdade é que estou ansioso! A prova é curtinha e com um acumulado pequeno, penso que será o ideal para desfazer o trauma dos 50km do Zêzere. 
  • 17 de Maio - Raid da Tapada de Mafra (21km) - Pois, mais um trail.. Ver razões acima!
  • 31 de Maio - Maratona do Luxemburgo
  • 28 de Junho - Corrida das Fogueiras (15km) - Está no meu top 5 de provas, não posso falhar!
  • 6 de Julho - Trail do Almonda (30km) - Pronto, já estou a exagerar...
  • 2 de Agosto - Trail Noturno da Lagoa de Obidos (25km) - Não bastava andar a inscrever-me em trail à parva, ainda me meto num à noite.... Vamos lá ver se corre bem.


A seguir a isto, e tirando a obrigatória 20km de Almeirim, não tenho mais nada planeado. A ideia era fazer a Maratona de Lisboa e tentar chegar-me às 3h15, mas estou com pouca vontade de treinar para isso... Depois do Luxemburgo logo se verá.

A prioridade agora é afastar estas nuvens negras que se estão a juntar aqui à volta. Amanhã mais uma sessão de massagem no Nuno Florival, e muito descanso. Mais uma semana de preparação para o lixo, mas isso agora interessa pouco.