As minhas corridas na estrada

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Vou à luta!!

Trouxe de Arga muito boas recordações. Trouxe mais uma conquista, trouxe confiança, trouxe uma nova serra e novos horizontes. Infelizmente também trouxe uma convidada indesejada: uma lesão. 

Decidi há algum tempo que ia evitar falar de lesões nos posts sobre as provas, não quero que soe a desculpa para o que quer que seja, mas desde os 5km de Arga, depois da primeira subida, que corri com bastantes dores numa perna, ao ponto de ter consciência de que se me demorasse de mais nalgum abastecimento provavelmente não conseguiria voltar a correr. Pois bem, como esperado, no dia seguinte mal conseguia andar e iniciei então o calvário que me trouxe até este post.

Três semanas = 3 corridas e um total de 19km. Serão assim as 3 semanas que vão anteceder a minha participação no UTAX este sábado, provavelmente a prova mais exigente que vou participar até hoje. Adiei a decisão de participar até à pouco, depois de uma volta de 7km que consegui cumprir praticamente sem dores. 

Tinha dois posts em mente para hoje, este e um segundo, intitulado "DNS". Esperava escrever a opção "vou à luta!!" com um grande entusiasmo, mas a verdade é que este se esvaiu no título. Estou completamente e terrivelmente acagaçado! 

Nem sei o que vos diga... Sei que provavelmente é uma decisão parva. Vai ser difícil. Muito, muito, muito difícil. Mas vou à luta... Vou começar devagar, vou subir devagar, vou poupar-me nas descidas, vou sofrer nas subidas, vou arrastar-me na lama se for preciso, mas vou lutar. Disso podem ter a certeza.

Vá, ainda sobrava um bocadinho de entusiasmo para a escolha da imagem :)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Grande Trail Serra d'Arga (53km) - A prova (quase) perfeita.

Não queria começar pelo fim, mas a descarga de adrenalina no domingo foi tão grande que o vou dizer já aqui: o Grande Trail Serra d'Arga é uma prova perfeita! Quer dizer..quase! Bem, fiquem por aí que vou concretizar.


Desde que chegámos ao Minho, no sábado depois de almoço, um nevoeiro cerrado não deixava que se visse mais que dois palmos à frente do nariz. Foi assim em Caminha, o que impediu de apreciar a paisagem da avenida junto ao Rio Minho e ver Espanha na outra margem, foi assim em Vila Praia de Âncora, onde ficámos na confortável Albergaria Quim Barreiros (é mesmo dele!) junto à praia, e continuou assim em Dem, pequena aldeia no sopé da Serra d'Arga, local de partida do GTSA. 

Centro de Caminha
Na manhã de domingo em Dem a temperatura era perfeita, a rondar os 17º. Cheguei um pouco em cima da hora com uns companheiros que estavam na Albergaria, a quem cravei boleia no próprio dia. Na rua da partida já estavam os cerca de 1000 atletas das provas de 53 e 33km. Passei pelo controlo zero (ouvi pessoas a dizer que tiveram penalizações de uma hora por não terem a manta! Não foi por falta de aviso...), fui até perto do pórtico e desloquei-me para um passeio, faltavam 15 minutos para a partida. A quantidade de caras conhecidas é impressionante, toda a elite lá estava, além de dezenas de caras que já vou conhecendo doutras corridas. O GTSA é uma espécie de encontro nacional do trail e ninguém quer faltar à festa!

A partida foi dada às 8 em ponto, depois de uma contagem decrescente a acompanhar as 8 badaladas do sino da igreja. Seguiu-se uma volta de 2km por Dem, de forma a dispersar o pelotão antes de enfrentarmos a primeira batalha. Reza a lenda que são 5, as batalhas de Arga, mas eu posso garantir-vos que não. São 6. E foi precisamente naquele ultimo round de uma grande luta que a Serra praticamente me derrubou. Lá chegaremos.


Foi ainda dentro da névoa que começamos a subida que nos levaria cerca de 500m acima de Dem. Com o pelotão ainda muito compacto seguíamos a bom ritmo pelos caminhos de granito que nos haveriam de acompanhar até ao fim da empreitada. Esta é logo a primeira diferença de Arga para o resto das provas. Aqui muito raramente vemos trilhos abertos ou estradões, quase a totalidade do percurso é feito por caminhos com rochas de granito arrumadas à mão.

Não precisámos de subir muito até estarmos por cima das nuvens. É sempre uma visão espectacular quando isso acontece, mas nunca tinha ficado tão impressionando como naquele dia. Ali estava todo o nevoeiro dos últimos dias, um manto branco denso, rasteiro que cobria tudo menos as montanhas. Mas o que me impressionou foi olhar para o horizonte e ver cumes de montanhas até perder de vista! Em 360º só se via branco e pequenas ilhas castanhas que se erguiam imponentemente. Uma coisa doutro mundo, arrepiante!

Esta fui eu que tirei, ainda com o pelotão muito junto, na Pedra Alçada, topo da primeira subida.
O primeiro round estava vencido. Chegámos lá acima com 5km, pelo mesmo caminho que haveríamos de descer no final da prova. Fiz as contas e, tirando a volta inicial por Dem, a descida teria 3km. Ou seja, a minha prova supostamente acabaria aos 50km, depois era "só descer". Como estava enganado...

Apercebi-me rapidamente depois de dobrar este cume o que se veio a confirmar ao longo da prova. Arga tem muito desnível positivo, 2700m segundo o meu relógio, mas aqui, mais do que em qualquer outro lugar em que tenha corrido, não se pode menosprezar o desnível negativo. As descidas eram quase sempre feitas pelos tais caminhos em granito. Imaginem uma espécie de calçada rudimentar, com grandes rochas de granito espalhadas de forma completamente heterogénea. Sem dúvida que tornam a subida mais confortável, mas a descer estamos constantemente a saltitar de rocha em rocha com a concentração no máximo para não torcer um pé. É impossível (pelo menos para mim) correr ali com um ritmo estável, estamos sempre a ajustar a trajectória, a saltitar, a travar, a desviar... É um esforço brutal para as pernas e exige concentração máxima. De facto, depois de terminar a prova, na minha opinião o mais difícil de Arga não são as subidas mas sim as descidas!

Caminhos de granito (retirado do blog "Corre como uma menina")
O inicio da segunda batalha coincidiu com a entrada numa face diferente da Serra. De repente as paisagens verdes, despidas e pontuadas por blocos de granito, foram substituídas por um bosque cerrado. Corríamos agora em cima de uma camada de caruma que devia ter uns 50cm de altura, parecia um autentico colchão que se deformava com os nossos passos. A subida foi-se mostrando tranquilamente. Serena, de segmento em segmento, de ponto de água em ponto de água, nunca demasiado inclinada e sempre pontuada por partes boas para correr. Foi só quando saímos da linha das árvores e voltámos ao granito que me apercebi que já tínhamos subido muito. Quando chegámos ao topo da subida e nos preparámos para uma pequena descida que antecedia o 3º round aconteceu-me uma coisa que nunca me tinha acontecido numa prova: arrepiei-me. 

Era isto que se via, foto do meu telemovel.
É impossível descrever por palavras, ou mesmo com uma fotografia, o espectáculo que a Serra nos proporcionou ali. O manto branco denso estava a dissipar-se, já só restava uma névoa quase fantasmagórica rompida pelos cumes de montanhas que se prolongavam até ao infinito. Nunca, nem mesmo no MIUT, fiquei com uma sensação de pequenez como ali. É verdade que nunca fiz uma grande prova na Estrela, já para não falar de maciços como os Alpes ou os Pirinéus, mas foi em Arga que tive a mais distinta sensação de estar em montanha a sério.

Foi a sorrir e arrepiado que fiz a descida até Arga de Baixo, base da terceira subida, onde estava situado o segundo abastecimento (não parei no primeiro). Os abastecimentos do GTSA são uma lição para todos os que dizem que gajos como eu não se podem queixar dos abastecimentos, e que estes só devem ter o mínimo, que o resto são mimos, e que lá fora não há nada disto, devemos ser autosuficientes, bla bla bla.. O GTSA é organizado por um dos melhores atletas de trail do mundo, é talvez a prova mais conceituada em Portugal e tem dos abastecimentos mais completos e variados que já apanhei. Ali não se pensa para os 10% da elite, pensa-se para os outros 90%. Além de terem uma localização e distribuição perfeita, tinham uma variedade como nunca vi. Já li por aí pessoas a queixarem-se que haviam poucos bidons para isotónico o que provocava algum tempo de espera. Epah, pessoal, não vamos exagerar...

Porto do espeto e sopa, aos 33km

Havia coisas como "gelatina com BCAA", mas eu gosto mais de mousse de chocolate
Tal como na segunda subida, nem dei por esta terceira passar. Ia com muito ânimo, a sentir-me muito bem fisicamente. O andamento era bom, os caminhos eram perfeitos, a paisagem distraía... Estava a aproveitar esta corrida como nunca. A descida foi pelos habituais caminhos de granito. Mais uma para moer os músculos. Tentei sempre resguardar-me nas descidas, nesta altura nunca ultrapassava ninguém a descer, tinha perfeita noção que mais tarde iria pagar se me excedesse. 

O terceiro abastecimento coincidia com o inicio da subida à Senhora do Minho, ponto mais alto da Serra d'Arga com 800m. Antes da prova, meti na cabeça que esta seria a subida mais difícil, por isso poupei-me até ali, sempre num ritmo confortável. Não sei onde fui buscar esta ideia, mas achava que depois desta subida a prova estaria concluída, mesmo faltando ainda quase metade do desnível por vencer. Estava redondamente enganado, mas lá chegaremos.

Ainda com o pensamento que a seguir era canja, dei tudo nesta subida. Posso dizer-vos: foi a subida que mais gostei de fazer até hoje. Tinha as pernas muito frescas e parecia que não tinha nenhuma limitação física a segurar-me. Demorei um pouco menos que meia hora a chegar lá acima e pelo caminho passei umas 20 pessoas! Acho que nunca tinha passado tanta gente numa subida, normalmente sou o gajo que se senta nas rochas a deixar os outros passar :)

Parte final da subida à Senhora do Minho. Foto do Nuno Silva no KV, retirado do Top Máquina!
Lá em cima fui recompensado por uma instalação com 4 ou 5 torneiras de água colocadas ali pela organização. O calor já apertava, praticamente tomei banho ali. Seguiram-se cerca 2km de corrida confortavel num planalto antes de iniciarmos a descida mais longa da prova. Estes 2km foram optimos para esticar as pernas. Ligeiramente a descer, trilhos em terra macia, corríamos quase sem pensar. Estava com a auto-estima nos píncaros. Já tinha ultrapasssado 4 das 5 (ou seriam 6) subidas do GTSA, ia com um ritmo muito abaixo do que esperava e, mais importante de tudo, sentia-me fresco como uma alface! "Já está!!" pensei eu. "És pouco estúpido és!!!" penso eu agora.

Fotografia no tal planalto.
Metade da grande descida foi pelos habituais caminhos. Desta vez, ainda embalado por uma auto-estima claramente exagerada, decidi abrir um pouco a passada e acelerei. O meio da descida, aos 33km, coincidia com a chegada à Montaria, meta da prova de 33km. Quando parei no abastecimento apareceram umas amigas que já não me diziam nada há algum tempo, a Perna Direita e a Perna Esquerda. "Aaaah, afinal estão cá! Como é que é? Já estão cansadas?? Então mas...não se estão a divertir tanto como eu??" penso que elas responderam "És pouco estúpido és!!!", mas não tenho a certeza.

Os 5km seguintes de descida, até ao Vale do Âncora, foram talvez os menos interessantes do percurso, se os 53km chegavam a ter 4km de estradões e estradas, 90% estavam concentrados nesta secção. Foi no entanto aqui que encontrei a minha excelentíssima esposa, que se perdeu a caminho da Senhora do Minho :)


Entrámos agora numa nova fase da prova, que será particularmente decisiva no meu resultado final: o Vale do Âncora. Foram 5km de subida sempre junto ao Rio Âncora, embrenhados num bosque muito fechado, com terra preta e húmida, muitas raízes, muito sobe e desce, paredes para escalar seguidas de descidas de rabo, ora dum lado ora do outro do Rio. Foi de longe a parte mais técnica do percurso e de repente, a envolvente que era estupidamente bonita, deixou de me chamar a atenção. Sentia as pernas cada vez mais presas e a queixarem-se no fim de cada obstáculo, e se eram muitos! Comecei a olhar para o relógio insistentemente, e isso nunca é bom sinal. Os quilómetros teimavam em passar, e eu só queria sair dali, voltar ao granito que pelo menos me deixava subir de maneira estável! Não me interpretem mal, foi das zonas mais bonitas de toda a prova, mas já só queria sair dali!

Foto da Sara, dá pra ver o tipo de piso.
Foi só quando saímos do meio das árvores que me apercebi que já tínhamos subido bastante. Esta primeira parte da ultima subida tinha sido devastadora para mim, a diferença que 5km fazem! Atingimos a marca de 44km no topo. Faltavam 9km para terminar a prova, é já ali! Quer dizer, é já ali mas primeiro tens que descer 150m verticais, só para os voltar a subir e meter-lhe mais 300 em cima! Esta é a parte mais sádica de todo o percurso. Quando acabamos de descer os 150m e chegamos ao ultimo abastecimento na base da descida conseguimos ver Dem e até dá para ouvir o speaker lá ao longe, era só descer mais uns metros e estávamos no paraíso, mas não, vais mas é subir aos 760m outra vez que te lixas!

Foto que a Sara tirou, era aqui que andávamos.
A subida final, o 6º round, o truque secreto que o Carlos Sá preparou para os mais distraídos, levou-nos novamente para as paisagens graníticas da Serra. Nesta altura um novo inimigo disferia golpes implacáveis: o calor. Desde o rio que sofria com o calor. Parava em todos os pontos de água e riachos para despejar água pela cabeça e tronco. Nesta altura batia-nos nas costas e estava mais forte que nunca. Comecei a debater-me com ameaços de cãibras constantes, assim como todos os companheiros que por ali andavam. A meio da subida há uma pequena descida que só consigo fazer a passo e muito hesitante. Quando entramos num estradão já muito perto do cume, o GTSA manda-nos um uppercut de direita que quase nos derruba. Uma ultima escalada, agora mais selvagem, sem caminhos, só com blocos gigantes de pedra que nos faziam levantar as pernas a ponto de se soltarem todos os músculos! 46, 47, 48km... Olhava para o relógio de 100 em 100 metros e aquilo não andava. À minha volta ia uma dezena de companheiros todos eles em dificuldades iguais, a Serra não é selectiva. Um ultimo esforço, uma ultima tentativa de soltar as pernas, e estávamos no km 50, de volta ao topo da primeira subida, na Pedra Alçada!

Pedra Alçada - Tirado do Google
Lembram-se de vos ter dito que estava redondamente enganado quando achava que a prova acabava aos 50km? Pois, quando cheguei lá acima e me mentalizei da brutalidade de descida que me esperava apeteceu-me dar um auto-calduço, mas daqueles mesmo fortes! Desde que corro em montanha demorei pouco tempo a perceber que as descidas podem ser tão ou mais massacrantes que as subidas, mas nunca senti tanto isso na pele como esta ultima descida de Arga. Tentava soltar-me, mas parecia um completo entrevado a descer. O saltitar das primeiras descidas tornara-se num espectáculo degradante, só me faltava um andarilho. Foi só a 500m da meta, agora já em estradão, que consegui soltar as pernas. Agora sim, 7h50 depois de partir, de volta a Dem, estava feito!

Foto da Sara, à chegada
Inscrevi-me no GTSA como um complemento de treino para o UTAX, mas para mim sempre foi muito mais que isso. Estava muito ansioso por participar nesta prova e a realidade superou em larga escala a expectativa. A prova tem de tudo, boas subidas, boas descidas, trilhos técnicos, paisagens brutais, abastecimentos perfeitos, marcações irrepreensiveis e um ambiente ímpar!

Mais morto que vivo (foto da Sara)
Ah, é verdade, querem saber o porquê do QUASE perfeito, não é? Bem, além do "quase" funcionar como um clickbait que faria inveja aos jornalistas do Correio da Manhã, encontrei um ponto negativo no GTSA: é longe pa caraças de Almeirim! Porra, 400km? Querem uma experiência extrema? Façam uma viagem de 400km de carro depois de correrem o GTSA! Ver se a organização faz alguma coisa em relação a isto, é uma vergonha!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Como quem não quer a coisa...

E de repente, assim como quem não quer a coisa, falta apenas um mês para o último grande desafio de 2015, o Ultra Trail Aldeias do Xisto com os seus 112km e 6000D+. Será a minha quarta tentativa de superar os 100km este ano, e se conseguir serei totalista do Circuito Nacional de Ultra Endurance da ATRP.


A Serra da Lousã, mais propriamente a UTAX, traz-me muito boas recordações. Foi lá que fiz a minha primeira prova de montanha, em 2012, nos então 30km do Trail Serra da Lousã, e voltei em 2014 para os 45km da mesma prova, naquele que foi sem dúvida dos melhores percursos que já fiz. Na verdade já apanhei de tudo nesta Serra, desde a aventura épica dos Abutres a um quase KO técnico no Louzan Trail. Todas provas muito diferentes, não só no conceito mas porque a altura do ano em que são realizadas assim o possibilita. O denominador em comum é a fantástica Serra da Lousã, onde aparentemente é quase impossível escolher um mau percurso. 


Ao sobrepor os percursos da UTAX deste ano com o TSL do ano passado, Abutres e Louzan, constato que já devo ter passado por 60% dos sítios, incluindo grande parte dos Abutres, quase a totalidade do TSL e nem tanto o percurso do Louzan Trail. Curiosamente, e para espanto meu, uma prova com 112km na Lousã não sobe ao ponto mais alto da Serra, o Trevim! Isto parece ir de encontro a uma ideia que tenho desta organização: não é preciso fazer o percurso mais difícil possível, é mais importante que este faça sentido! Foi essa a impressão que fiquei no TSL, um percurso muito equilibrado e interessante. 


Precisamente por já conhecer algumas partes do percurso, e principalmente por conhecer a Serra da Lousã, há uma coisa que tenho a certeza que não vou encontrar: facilidades. Vai ser difícil, muito difícil. Não espero que seja mais fácil que o MIUT, por exemplo. Vai ser muito duro fisicamente mas também psicologicamente, já que no MIUT tínhamos o objectivo de atravessar a ilha e aquilo é mesmo grande, aqui vamos andar a "encher chouriços" (não no sentido depreciativo) numa Serra que não é assim tão grande. 

Quanto ao meu treino, e ainda com 4 semanas pela frente, confesso que me sinto bastante bem e confiante, melhor que antes do MIUT. Fui-me muito abaixo em Junho/Julho, logo a seguir ao UTSM, e nessa altura ainda pus seriamente a hipótese de passar dos 112 para os 50km, mas o tratamento de choque de Agosto deu resultado e está a ter seguimento em Setembro. Tenho posto mais quilómetros, mais desnível e principalmente mais horas em cima das pernas. Para muito têm contribuído os treinos na Serra de Sintra, sempre com um mínimo de 40km e 2000D+. Vale bem a pena a viagem madrugadora desde Almeirim!

Entretanto tenho um testezinho pela frente, uma provazita inofensiva chamada GRANDE TRAIL DA SERRA D'ARGA! :O Vai servir como ultimo grande aperto antes da UTAX (ficam a faltar 3 semanas de descompressão) e ao mesmo tempo um teste, já que desde 1 de Agosto (Óbidos) que não faço nenhuma prova. Das duas uma, ou saio de lá com a confiança em alta ou passo três semanas com pesadelos!

Quanto a Arga, há a assinalar o seguinte facto: vou ficar alojado na Albergaria Quim Barreiros. Estou agora à procura do restaurante Marante para jantar e da pastelaria Emanuel para o pequeno almoço.

...pronto, podem parar de rir.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ultra Trail do Manel

Apesar de o conhecer há alguns meses, nunca me encontrei com ele. No entanto, o Manuel, ou Manel, é uma daquelas pessoas que não é preciso conhecer há muito tempo para saber que vai ser uma peça central na minha vida. Também ele já se iniciou na corrida, fez o primeiro trail em Óbidos, ainda acompanhado é certo, mas já temos combinado embarcar numa Ultra aventura lá para Março do ano que vem. Parece-me que vai ser épico, a aventura de uma vida! O Manel é esse tipo de pessoa, das que nos mudam a vida. Parece-me que vai ser ele que finalmente me convencerá a treinar de madrugada! 

Falo-te agora directamente, Manel: demora o teu tempo, gere o esforço. Estás prestes a começar a ultra maratona de uma vida, e eu vou estar sempre do teu lado, como a equipa que vamos ser. Encontramo-nos daqui a uns meses, 5 ou 6, vai passar rápido! Até lá, eu, a mãe e a mana vamos ficar aqui, ansiosos por te conhecer!


Imagem escolhida ao acaso, só para não spoilar o texto :)



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Meu querido mês de Agosto.

Ok, vamos tirar isto da frente: uuuuh um mês sem cá vir, bla bla bla, é uma vergonha, bla bla bla, nunca mais faço isto, bla bla bla, peço desculpa aos milhares de quarentidoizódependentes etc etc etc.

Pronto, vamos ao expediente!

Não gosto muito de fazer posts sobre os meus treinos. Não que não me apeteça, mas acho que ninguém aí desse lado tem muito interesse, por isso tenho restringido os posts às crónicas das corridas. Mas como sou um gajo egocêntrico e já tinha saudades de escrever aqui, decidi quebrar a regra e escrever um interessantíssimo POST DOS TREINOS!

Lembram-se quando há uns posts atrás tinha dito que estava acagaçado com a minha forma e a perspectiva de participar nos 112km da UTAX? Disse na altura que o mês de Agosto era o do tudo ou nada, que alguma coisa tinha que mudar ou não valia a pena lá ir. O mês começou de maneira perfeita, no Nocturno de Óbidos. Senti-me sempre bem e fiquei muito satisfeito com a minha prova. O plano era participar a meio de Agosto no Ultra Rocha da Pena, mas soube-me tão bem correr à fresca em Óbidos que tive miúfa do calor e desisti de participar. No entanto, Agosto era o mês do vai ou racha, e se não rachava na Rocha tinha que rachar nos treinos, mais concretamente nas duas semanas de férias que tinha no fim de Agosto!

Estas não podiam ter começado de maneira melhor. ...nem mais cedo! Primeiro dia de férias, despertador para as 4 da manhã, siga para a Serra de Sintra! O plano era fazer um longo de 50km, a seguir um percurso disponibilizado pelo Sommer (Sr. Ribeiro), que me fez companhia a mim e a um amigo nos primeiros 15km. Aí juntou-se outro amigo que nos acompanhou nos próximos 25km. Acabaram por ser 40km, 2000D+, em cerca de 6 horas. Pronto, este foi o registo factual. Agora deixem-me dizer-vos o que realmente interessa: Sintra é brutal! Que sítio incrível! Será que vocês, pessoas que vivem em Lisboa e arredores, sabem a sorte que têm? Não, melhor, será que nós, portugueses, sabemos a sorte que temos por ter sítios como Sintra à distancia de uma viagem de carro? Que sitio perfeito, tem de tudo! Foi brutal ver o nascer do sol, passar frio de madrugada enquanto subíamos ao Castelo dos Mouros, assar ao sol na descida da Peninha, parar na Pedra Amarela para comer um sandes descansado enquanto via a paisagem, curtir uma descida de Downhill como se fosse um puto de 5 anos a chapinhar numa poça de água... Sem abastecimentos, sem marcações, sem ultrapassagens ou tempos limite, as 6 horas passaram e não dei por elas. Vou voltar, de certeza. 

Sande de Presunto na Pedra Amarela
Domingo era dia de rumar a Quarteira, onde passaria as próximas duas semanas. O pior sítio do mundo para levar os treinos a outros nível, dizem vocês. E têm toda a razão, mas eu tinha um trunfo chamado Hugo Sá! Lembram-se de uma campanha da Prozis que fornecia tracks com percursos no Algarve? Pois é, estes eram idealizados pelo Hugo, um nortenho que rumou a sul há uns anos. Foi ele que me apresentou o Cerro da Cabeça de Câmara, um monte com 200m de altitude a 10 minutos de Quarteira. Foi lá que conheci um percurso de 10km quase sempre em trilhos de Downhill (todos devíamos perder um bocadinho do nosso dia a agradecer ao pessoal do BTT) super divertido, rápido e variado. Foi lá que fiz um treino com o João, o meu cunhado, outro com o Bruno, o mentor do ATR (Algarve Trail Running) que além de ser um atleta brutal é um gajo impecável, foi lá que corri com o Eduardo Merino, das quintas-feiras bravas, foi lá que voltei mais 6 vezes nas minhas férias e fui feliz em cada uma delas. Ok, menos naquela vez, curiosamente no meu dia de anos, que caí numa curva e deixei metade da nalga esquerda agarrada às pedras do monte.


Via do Infante de um lado, trilho brutal do outro e um emplastro a estragar a foto.

Não queria perder esta oportunidade de mostrar a nalga no blog.
O mesmo Hugo apresentou-me uma porta secreta ali para o lados de Portimão que nos levou a um universo paralelo em pleno Allgarve, de seu nome Serra de Monchique. Confesso, nunca lá tinha passado. Era um daqueles básicos para quem o Algarve é só praia e confusão. Não é, é muito mais, e um bocado grande desse "muito mais" é Monchique. Que maravilha correr ali. Subimos das Caldas de Monchique até à Picota (770m), descemos até Monchique e voltámos a subir, desta vez até ao ponto mais alto do Algarve, a Foia (902m). Passámos por bosques cerrados, por planaltos de pedra, por trilhos apertados, vegetação alta, vegetação baixa, vimos o mar, vimos o Algarve inteiro, fizemos parte da Via Algarviana, apanhámos chuva, vento, sol, frio, calor.... Monchique é um sítio mágico que merece um boa prova de trilhos. Tenho a certeza que mais cedo ou mais tarde vai aparecer, espero que pela mão da gente competente da ATR (organizadores do Rocha da Pena). Depois de conhecer o Bruno e o Hugo sei que ficaria em boas mãos. Ah, e podem contar com a minha inscrição!

Não queria acabar o capítulo Algarve sem antes referir uma coisa: o Hugo Sá e o Bruno Rodrigues deviam ser promovidos como património regional. Estão de férias lá em baixo? Falem com o Hugo, ele não se importa de vos mostrar os melhores cantos, a sério. Já o Bruno só conheci no último dia de férias, mas logo se prontificou a mostrar mais trilhos. Boa gente, pessoas impecáveis. Dêem-lhes confiança e o trail do Algarve vai explodir, acreditem.

Com o Hugo na Foia, a 900m de altitude.
Para o último fim de semana de férias reservei um longo em Évora, terra da Sara. Procurei saber de trilhos da Serra de Valverde, mas à ultima da hora deu-me a preguiça e achei interessante correr uma parte da Ecopista de Évora, ramal de Mora. A Ecopista surge da conversão de um ramal ferroviário e procura promover pontos de interesse histórico/culturais. Basicamente é um estradão fechado ao transito automóvel de 60km que liga Évora a Mora, passando por Arraiolos aos cerca de 30km, foi este o percurso que me propus a fazer. Eu gosto muito do Alentejo, e de Évora em particular, é possivelmente a minha cidade favorita em Portugal. Mas tenho que confessar que fazer este treino não foi lá muito boa ideia. Começou não ser boa ideia quando decidi partir apenas às 8 (que resvalou para as 8:30), acabei já perto do meio dia com temperaturas muito próximas dos 40ºC. Depois não foi boa ideia porque o percurso não era bem o que eu pensava, este não sobe e desce os montes que vai apanhando, rodeia-os mantendo-se sempre no sopé. A paisagem não varia praticamente nada do inicio ao fim, mantemo-nos longe das povoações e mergulhados na planície alentejana. Foram 27km planos como uma folha de papel e abafados como um forno. Esgotei os 2.5 litros de água que levava e acabei a derreter com o calor... Vou dar certamente outra oportunidade a Évora, mas não por ali. Não há por aí nenhum Eborense que me queira fazer companhia um dia destes? 

Amarelo e azul, all the way.
Foram duas semanas com muitos quilómetros (179) mas pouco efectivos, acabei por não fazer muitos treinos técnicos e procurei apenas divertir-me e aproveitar. Não terá sido a maneira ideal de apurar a forma para enfrentar os monstros que se avizinham, mas não mudava nada. Os muitos quilómetros contribuíram no entanto para o mês mais produtivo de sempre, 384km em Agosto! Nada mau!

Agora venha Arga! 

...Bem, na verdade antes ainda vêm três semanas de treino intenso, mas dizer isso é menos dramático.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Pedido de Ajuda

"A corrida é a mais importante das coisas secundárias", já dizia a famosa frase do movimento Spiridon. Todos concordamos que a mais importante das coisas principais é a vida.

É vida que vos venho pedir hoje.

De vez em quando há uma tragédia que nos toca mais fundo, e desta vez a sombra anda a rondar Almeirim. A filha de 3 anos de um amigo meu, colega de escola da minha Maria Amélia, está numa situação desesperada e urgente. Precisa de um transplante de medula óssea. Toda a comunidade está mobilizada, mas infelizmente, como sabem, as probabilidades de achar um dador compatível são terrivelmente reduzidas. É por isso que vos escrevo hoje. Para vos pedir, desesperadamente, ajuda. 

É muito fácil tornarem-se dadores potenciais de medula. Basta terem entre 18 e 45 anos, pelo menos 50kg e pelo menos 1.50m de altura. Depois tens que dar uma pequena amostra de sangue e preencher um inquérito. É só isso. Vais entrar numa base de dados internacional e, se tiveres muita sorte, activado como dador de medula. 

Se fores da região de Almeirim, o laboratório Joaquim Chaves (perto do Jardim da Republica) está a recolher amostrar de 2ª a sábado, das 8 às 11 da manhã. O resto do país pode consultar os locais para recolha aqui.

Por favor, ajudem. Se não for a nossa menina, os milhares de pessoas que precisam de um transplante. Agora vamos todos esperar que isto não passe do pesadelo que está a ser.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

VII Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos (58km)

O Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos é especial, ponto. Bastaram-me duas participações para perceber isso. Não é a mais longa ou a mais difícil, não é a que tem mais trilhos técnicos ou paisagens de cortar a respiração. Tem muitos estradões e, hajam pernas, até pode ser feita praticamente toda a correr! Então porque é que uma corrida que parece não ter nada a favor é tão especial?


Antes de mais, é especial porque Óbidos é uma vila especial. Começa por o ser quando ainda vamos na auto-estrada e vemos as muralhas que envolvem um sem fim de ruas estreitas e desorganizadas dispostas numa encosta, como se o projecto de urbanismo se baseasse num rabisco de uma criança. Lá dentro, milhares de pessoas literalmente vestidas a rigor alinhavam no ultimo dia da Feira Medieval que se realiza anualmente. Escudeiros com espadas de madeira, videntes, bruxas, bobos de corte  e guerreiros com focos de 200 lumens na cabeça vestidos com t-shirts fluorescentes misturavam-se todos criando um espectáculo esquizofrénico. Comigo viajou um portentoso contingente de 6 cavaleiros e 2 damas, da corte almeirinense, distribuídos pelas 3 distancias da batalha nocturna de Óbidos (55, 25 e 10km). Eram 20 horas quando acabámos de nos equipar no sobrelotado parque de terra fora das muralhas e nos dirigimos para o Jogo da Bola, local de chegada e de concentração para a partida.

Uma parte dos almeirinenses presentes, incluindo a Sara que se estreou nos trilhos!
Foi lá em cima que nos juntámos aos outros mil e tal atletas que esgotaram as inscrições do UTNLO em poucas horas. Os cerca de 30 minutos que aguardámos pela partida simbólica que nos levaria de novo à entrada da muralha foram suficientes para encontrar dezenas de caras conhecidas, incluindo uma grande parte da elite do trail nacional. A inclusão no circuito nacional de Ultra Trail da ATRP e a organização a cargo de decanos da corrida de montanha ajudam, mas é mais do que isso. Ninguém quer perder esta prova. Este ano havia a novidade das partidas conjuntas, o que resultou numa moldura humana impressionante na zona dos pórticos, mas que na minha opinião infelizmente tirou a diversão da partida simbólica. Era demasiada gente, acabámos por percorrer os 500 metros a andar quase em fila indiana.

Congestionado
A partida foi dada às 21:30 em sentido contrário ao do ano passado. Os primeiros 10km foram numa zona completamente nova em relação a 2014. Aliás, contas por alto, diria que cerca de 80% do percurso era diferente. A julgar por estes primeiros quilómetros a mudança estava a ser muito positiva. Muitos trilhos abertos de fresco, boas (mas curtas) subidas, descidas rápidas e em trilhos, passagens por túneis, outras por baixo dos grandes viadutos da A8, sempre muito rolante e divertido. Enquanto corria lembrava-me da Sara que vinha lá atrás na sua primeira incursão nos trilhos, na prova de 10km. Estava a ser uma amostra excelente!

Aspecto caótico na partida
A noite estava fresca, já tinha saudades de correr sem estar dentro de um forno. Sentia-me muito bem e várias vezes controlei o entusiasmo para não estragar o que podia ser uma boa corrida. Até aos 20km, onde estava situado o primeiro abastecimento, o percurso foi excelente. Algumas zonas em comum com o ano passado mas principalmente trilhos novos a estrear iluminados por um luar brutal. Nas passagens pelas povoações aproveitava para desligar o frontal e poupar pilhas, mas deixei de fazer isso quando percebi que era impossível orientar-me sem a luz a reflectir nos pequenos quadrados colados para nossa orientação. É o único reparo que tenho a fazer quanto à organização, as marcações. Talvez por estar mal habituado, mas perdi a conta às vezes que parei com dúvidas de qual o caminho a seguir. Tenho por sistema parar assim que tenho dúvidas, por isso acabo por não fazer muitos metros a mais, mas fui-me cruzando com muita gente desorientada. Enfim, nada de grave. Pelo menos durante a noite, não quero imaginar o pesadelo que terá sido ao pessoal que chegou de dia seguir as marcações!

Um dos tuneis onde passámos (estava seco)
O primeiro abastecimento sólido foi aos 20km, não parei no primeiro de líquidos aos 12. Mesas muitíssimo bem apetrechadas com o essencial e vários brindes, como melancia (não dá para tornar a melancia um alimento obrigatório em todas as provas?) e mini filhoses que comi que nem um alarve e ainda levei 3 ou 4 na mão para a viagem até ao próximo abastecimento.

Estes 12km, apesar de completamente novos, voltaram um bocado à matriz do ano passado: muitos estradões, algum alcatrão e quase sempre possível de fazer a correr. Foi talvez a parte mais desinteressante do percurso, mas felizmente sentia-me muito bem e os quilómetros passaram depressa, como podia comprovar nas placas informativas colocadas pela organização. Nelas podíamos ver a distancia (em contagem decrescente) para o próximo abastecimento e para Óbidos, um luxo, e ainda por cima batia certinho!

A caminho da praia
A chegada à praia foi coincidente com o abastecimento no km 32. A secção nas praias é a que marca o UTNLO. Quase como as arribas estão para o Monte da Lua, um daqueles factores que tornam a prova especial. Este ano a organização arriscou e cortou a secção pelo meio, só fizemos a segunda metade. Na pratica cortaram um segmento inicial de sobe e desce de dunas e deixaram a parte mais interessante e técnica, nas arribas. A consequência foi chegar às arribas menos cansado, o que permitiu desfrutar daquele cenário inigualável muito melhor. Acho que é de elogiar uma organização que tem a coragem de mexer com o ex-libris de uma prova com a convicção de que estariam a proporcionar uma melhor experiência aos atletas. Para mim, aposta ganha! Desfrutei muito mais da zona, senti-me bem e com o entusiasmo ainda acelerei um bocado. A luz da lua deixava o mar perfeitamente visível e reflectia na rocha clara desgastada pelas ondas, corríamos numa espécie de lusco fusco o que tornava a coisa ainda mais especial. Mais uma vez fiquei com a impressão que valeu a pena só por aqueles quilómetros.

O prato seguinte era outra secção marcante, e que até dá nome à prova: a Lagoa de Óbidos. São 10km planos, numa ciclovia que circunda a lagoa. Levei estes quilómetros na cabeça desde o início, sabia que era essencial chegar lá com pernas para o desafio psicológico que é ver a meta e saber que só lá chegaríamos uma hora depois. Foi assim, determinado, que percorri os 10km. Distraído por um concerto de HMB que estava a acontecer na Foz do Arelho e maravilhado pela luminosidade provocada pela lua gigante, cheguei a correr alguns quilómetros com o frontal desligado. Foi importante saber o que me esperava porque fui um pouco abaixo aos 5 ou 6km, mas sabia que dali a um quilómetro tinha que passar por um trilho no meio do caniçal que me obrigaria a andar uns 200m, por isso forcei até lá. Acabei por correr sempre a um ritmo a rondar os 5:30min/km, nada mau para quem já tinha quase 50km nas pernas!

Lagoa de Óbidos
O abastecimento surgiu aos 50km, a 8 da meta. Como sempre, muito animado, com muita gente, boa disposição e variedade de comida e bebida. Comi pouco, enchi os depósitos de água e segui caminho, já cheirava a meta!

Também esta secção final, com excepção dos últimos 3km, estava completamente mudada em relação a 2014. O ano passado penei muito naqueles últimos 3km, por isso este ano estava concentrado em percorrer o mais depressa possível os primeiros 5 e despachar aquilo de uma vez. Claro que só consegui isto porque estava num bom dia (ou noite) e ainda tinha pernas que me permitiram rolar sempre a bom ritmo. Foi nesta altura que pela quarta vez, sim QUARTA, fiz uma paragem técnica! Não sei se será do ar de Óbidos, mas este ano foi mais um caso sério de adubanço de pinhal. O que vale é que aprimorei bastante a minha técnica de cagar no mato à noite!

Tal como me lembrava, os últimos 3km mostraram mais uma face do UTNLO. Subidas a pique com cordas, descidas difíceis, parte-pernas à lá Abutres. Sempre que apanhava um troço que desse para correr metia o turbo. A analisar o track do garmin vejo que o meu pico de velocidade foi atingido aqui! Comecei a entusiasmar-me e a divertir-me muito naqueles trilhos técnicos, já fazia as subidas a correr e tudo eheh Quanto dei por mim já estava na base do castelo e só faltava a escadaria para o assalto final. Aquilo que o ano passado me custou tanto, desta vez fiz em passo de corrida e com um sorriso nos lábios! Incrível, há dias em que corre tudo bem!

Cheguei lá acima com 7h17 de prova para os 58km e 1500D+. Um tempo modesto, nada de especial. Mas fiquei super satisfeito porque me senti muito bem e acabei com força. Depois de ter sofrido tanto no Louzan e no Monte da Lua precisava de um boost de confiança como este. Assim que cheguei fui direito à mesa da comida, mas este ano nem toquei na sopa que estava muito calor. Estive um quarto de hora a enfardar melancia até ficar a deitar pela boca! No fim um banho quente nos muito bons balneários à nossa disposição e fiz-me à estrada até Almeirim com a Sara, que umas horas antes tinha completado a sua primeira prova em trilhos!

Na chegada, ainda a recuperar o fôlego
Quanto à prova, não precisava de ir lá uma segunda vez para comprovar que é realmente uma prova especial. Sim, é muito rolante e não tem altitude, mas também tem secções técnicas, trilhos corríveis, passagem por povoações, tem a praia, a lagoa, tem Óbidos e, acima de tudo, tem um grupo de fiéis que esgotam a prova em poucas horas e que dão um ambiente espectacular a esta corrida. Para o ano, no dia 1 de Junho à meia noite, lá estarei eu à frente do computador para me inscrever na oitava edição desta excelente corrida.

Já tenho para os amendoins e nozes, falta um para os pistachios