As minhas corridas na estrada

domingo, 17 de abril de 2016

Scalabis Night Race 2016

É absolutamente incrível o que esta malta dos Scalabis Night Runners consegue fazer em Santarém. Foi a minha quarta participação (em quatro) nesta corrida, e cheguei à mesma conclusão que das ultimas 3: este ano foi o melhor. 

Incrível. 

Uma autentica máquina oleada e afinada. Entusiasmante, vibrante e emocionante. Milhares de pessoas na estrada (só nos 10km eram quase 2500), milhares de pessoas na rua a apoiar, mas a apoiar MESMO. Uma cidade engalanada e orgulhosa da sua história, que nesta altura recebe humildemente estes milhares de entusiastas numa celebração anual. 

Tudo correu bem! 

Um percurso desafiante, nada monótono, que inclui calçada, estrada, saibro nas portas do sol, passagem por locais históricos, vários pontos de animação e locais estrategicamente pensados para passar pelos aglomerados de pessoas. Não faltaram os campinos, o folclore, as tunas e o copo de tinto no Quinzena. Uma fórmula testada e aprovada - para quê mudar? Assim deve continuar. No fim um sistema cada vez mais afinado de distribuição do famoso kit bifana+bebida+pampilho diminui a espera a uns míseros 2 ou 3 minutos, mesmo na hora de ponta, e um final de festa (pelo menos para mim) verdadeiramente apoteótico com um fogo de artificio "fim-de-ano-na-Madeira style" a partir do W Shopping, patrocinador da corrida e situado bem no centro da cidade. Tem sido sempre muito bom, mas porra, este ano foi perfeito! Os Scalabis Night Runners, e principalmente a cidade de Santarém, estão de parabéns por este fabuloso evento que só falharei no futuro por motivos de força (muito) maior. 



A uma semana do MIUT, parti para esta prova completamente às escuras. Por um lado estou no meu pico de forma, por outro há meses que não faço uma sériezinha ou fartlek, ando mais entretido a subir montes. Apesar de ter partido do bloco sub40, estava convencido que nesta altura não estava a valer esse tempo e parti sem objectivo. Comecei a um ritmo bastante elevado (para mim) e assim me mantive, sempre à espera do momento do estoiro. Estava convencido que mais cedo ou mais tarde ia acontecer, mas a verdade é que não aconteceu! Não dei pelos quilómetros a passar, de repente só faltavam dois e estava instalado num sub40. Não quer isto dizer que não custou. Porra, se custou! Correr 10km no limite é uma brutalidade e acho que só se consegue porque os níveis de adrenalina são tão altos que nos anestesiam! No final um sprint de recta da meta ainda me valeu um sub39 (38:55), perto do meu record pessoal mas principalmente muito inesperado, para o tipo de treino que ando a fazer. 

Hoje tenho a impressão que abusei. Há muito que não corria com esta intensidade e tenho as pernas doridas e rijas, espero que não tenha estragado nada para o MIUT. Mas há coisas que são impagáveis, e uma delas é chegar a casa com níveis tão altos de endorfina e adrenalina que mesmo todo escavacado não conseguia pregar olho!

Agora sim, baterias 100% focadas na super empreitada que começa sexta feira à meia noite. Até já, Madeira!

domingo, 3 de abril de 2016

Inatel Piodão Trail Run (50km) - Montanha a sério

Arranquei sozinho de Côja às 7, depois do pequeno almoço na vila. Segui as placas para o Piodão, que me encaminhavam para o nascer do sol por trás da montanha. A estrada vazia e sinuosa levava-me cada vez mais alto num zigue-zague arriscado perto de uma ravina perigosa. Levantei o volume do radio quando reconheci a pancada seca e metálica no inicio do single novo do Samuel Úria, e agradeci à Antena 3 pela banda sonora perfeita. Olho à volta para os picos e tento imaginar quais irei visitar, apesar de saber a resposta: todos. Quando viro a montanha e começo a descida para o vale, vejo Piodão lá em baixo enfiado numa garganta impressionante de encostas inclinadíssimas. Entra o baixo na musica e levanto o som ainda mais! Apetece-me parar já ali o carro e desa tar a correr, o cenário é incrível, com a Serra da Estrela a espreitar e as casas de Piodão entaladas na montanha! Se já estava com pica para esta prova, este curto trajecto de carro atestou os depósitos! Portugal tem sítios lindos, apesar de às vezes nos esquecermos, e ontem foi dia de conhecer um dos mais incríveis que já vi - a Serra do Açor.


O Piodão é pequeno para tanta gente, nota-se bem. Os carros estacionados ao longo da estrada parecem autênticos corpos estranhos naquele cenário de postal. As inscrições para esta corrida são compreensivelmente muito limitadas, por isso foram uns privilegiados 300 atletas que às 9 da manhã partiram para os 50km do Ultra Trail do Piodão. 

Piodão
A meta estava montada no Inatel do Piodão, um pouco acima da vila postal. Engraço como 6 horas podem relativizar tanto este "um pouco acima", mas logo já falamos mais sobre isso!

Foto da net, com o Inatel em 1º plano.
A partida, dada com uns minutos de atraso, começou logo a descer até ao Piodão. Rapidamente a elite, presente em grande número nesta prova do circuito nacional de ultra trail, disparou, assim como os habituais nervosos do tiro de partida. esticando o pelotão e colocando-me na segunda metade deste. Sabia que teria cerca de 5km a descer até à base da primeira e mais longa subida da prova, por isso deixei-me ir muito tranquilamente a aproveitar os espectaculares trilhos que percorríamos na parte de baixo da encosta da montanha. Adoro aquele tipo de trilhos! Daqueles que parece que fazem parte da montanha, e não artificialmente inventados só para nossa diversão. Sem darmos por isso estávamos na base da primeira grande subida, 6km com 600d+.


Esta foi feita num estradão que zigue-zagueava pela encosta, aumentando a distancia e diminuindo muito a inclinação. Apesar de muito longa foi uma subida relativamente fácil, já que o piso era muito certinho o que permitia colocar uma passada constante. A temperatura ia diminuindo muito à medida que subíamos, mas a camisola térmica juntamente com o impermeável e a tshirt do clube eram mais que suficientes para manter a temperatura no tronco. O topo chegou aos 10km e 1250m de altitude, literalmente virámos a montanha para o outro lado e demos de caras com uma das paisagens mais incríveis que já vi. No topo do Açor, com a Serra da Estrela nevada atrás de nós, dois vales profundos de cada lado, montanhas recortadas por eólicas, elas próprias também parte da paisagem e tudo envolto ainda naquela neblina leve do inicio do dia que se levantava do chão.

Sacada da net (sim, mais uma vez não tirei um única foto)
Iniciámos a descida até Malhada da Chã por um trilho na encosta, bastante técnico mas não muito inclinado. Desafiante e super divertida de correr, uma descida deliciosa que nos levou até a mais uma aldeia do xisto, nas costas do Piodão, onde estava situado o 2º abastecimento aos 15km. Malhada da Chã é outra daquelas aldeias que nem que fossem desenhadas no AutoCad seriam tão perfeitas. Há a montanha, há o vale, há o ribeiro de águas límpidas, a ponte de pedra e as escadas de xisto. Perfeita, até irrita! O abastecimento era o típico banquete d'O Mundo da Corrida. Decidi levar à risca um plano de alimentação nesta prova, para futuramente utilizar no MIUT e UTMB, por isso quando lá cheguei já levava um gel e uma barra no bucho (a ideia era nunca passar mais que uma hora sem comer nada). Comi duas metade de banana, uns copos de isotónico e siga subir, segue-se o ataque ao ponto mais alto do Açor!

Claro que a Malhada da Chã também tinha que ter uma levada...
Esta segunda subida, também ela muito longa (cerca de 550+ em 4km) começou com uma primeira secção bastante difícil, mas mais uma vez desembocou no estradão das eólicas, que nos embalou serra acima até aos 1400m. O caminho certinho permitia ir constantemente perdido da paisagem, o que tirava dificuldade à subida. Sentia-me muito bem e solto, apetecia-me correr e ir ao limite, mas depois lembrava-me da famosa subida da Fornea, a terceira da prova, e deixava-me ir no meu ritmo tranquilo. A escalada foi feita com relativa facilidade, mas as pernas lá em cima já pediam descanso e o desejo foi concretizado. A descida começou com cerca de 2km de estradão que permitiu esticar as pernas e até me deixei entusiasmar um bocado, com um destes km percorrido em 4.08 minutos! Entrámos depois num troço bastante mais inclinado, o que massacrou muito os quadricepes, e finalmente num trilho que nos levou até Covanca, local do 3º abastecimento, aos 25km.

Covanca
Covanca era bonita, na encosta e com o xisto e tal e tal, mas o que interessa mesmo aqui é a deliciosa sopa de legumes que lá comi! Ui ca boa! Peguei na tigela e pus-me a caminho enquanto sorvia. Nesta altura, a meio da percurso, sentia-me a 100% e super entusiasmado com a minha prova, nem sequer pus a hipótese de me sentar no abastecimento.

O caminho até à Fórnea, 30km e base da grande subida do Piodão, foi em ligeiro sobe e desce ora em estradão ora em trilhos espectaculares. Feito praticamente sempre a correr, sem grande esforço, fui percorrendo o caminho e conversando com companheiros. Em todas as conversas, havia um ponto em comum: o Ultra do Piodão começa aos 30km. 

Ok, vem aí uma subidona, mas primeiro vamos ao banquete! O abastecimento da Fórnea é uma instituição, acho que já tinha ouvido falar mais dele do que a subida a seguir. Comi meia bifana e três fatias de presunto, mas havia muito, muito mais para comer. Ah, e para beber! Inclusivamente uma garrafa do meu vinho preferido, o Foral de Évora ehehe A partir de agora não fico contente com nada menos que uma Cartuxa Reserva nos abastecimentos!

Afinal ainda tirei uma foto. Prioridades! :)

De saída do abastecimento, com a barriga cheia, o ataque à subida começou com uns leves 2km por trilhos, até chegarmos à base do monstro. O prato consistia em 2km com 400+ e em todos os relatos dos outros anos era unânime que era a mais difícil da corrida. Confesso: estava deserto por a encontrar! Esta prova era muito importante para mim porque já não corria nenhuma desde Novembro, por outro lado mudei a maneira de treinar e ansiava por saber se estava no bom caminho. Para trás já tinham ficado muitas e longas subidas, mas precisava de "sobreviver" a esta. Era este o derradeiro teste.

Foto do ano passado da subida.
Ataquei-a exactamente como vou atacar as primeiras subidas no MIUT, com os chamados baby steps. Passada muita curta, constante e segura. O trilho era inconstante e com muita pedra, daquelas subidas que dão trabalho. A progressão era difícil, mas quase sem dar por isso comecei a apanhar companheiros. Segui concentrado, não me entusiasmei, mas também não dei folga. Baby steps. Curto, constante e seguro. De repente a inclinação diminuiu, olhei para cima e as eólicas estavam já ali! Alarguei a passada, subia com um sorriso nos lábios com um passo forte, corri na ponta final e 20 minutos depois...estava lá em cima! Missão cumprida! Acho que ainda soltei um VAMOS antes de começar a descer o estradão :)

Seguia-se a subida ao Colcurinho. Lá de cima da subida tivemos novamente a panorâmica a 360º do Açor, e dava para ver lá bem longe o pico onde iríamos de seguida. Foram 8km lindíssimos no cume da montanha, sempre acima dos 1000m, com subidas e descidas curtas, muitos trilhos excelentes para correr, uma delicia! 

Colcurinho, mesmo a pedir para ser subido.
Seguia nesta altura ultra confiante, corria em todo o lado e sentia-me muito solto. Achei que a coisa estava feita e que chegar ao Piodão já era só um pro forma. No entanto, ainda tive tempo de ser posto no lugar pela Serra, como não podia deixar de ser...

O ataque final ao pico foi muito mais difícil do que julgava, e pela primeira vez na prova vacilei bastante. Era só 1km com 200+, nada de especial comparado com o que já tinha ficado para trás, mas talvez por achar que a coisa estava feita levei uma grande chapada! Lá em cima havia um abastecimento e desta vez sentei-me mesmo. Ofereceram-me sopa, mas tinha acabado de comer uma barra, por isso fiquei-me pelo isotonico. Deixei o estômago assentar e ataquei a longa descida de 7km que se seguia!
Lá atrás, o estradão por onde subimos
Por muitas vezes já disse que as descidas podem ser tão ou mais massacrantes que as subidas, e esta começou bruta. Muita inclinação, muita pedra e os bastões a trabalhar. Foram uns primeiros 2km com as pernas em brasa, até entrarmos no estradão que nos levaria até Foz d'Égua. Podia descrever-vos este estradão, mas fiquem antes com uma imagem do track :)

A descida dos ésses
Curva, contra-curva, curva, contra-curva, curva... 3km neste zigue-zague interminável! Boa inclinação e bom piso para correr. O corpo habituou-se e estabilizei o ritmo e o esforço, corria a bom ritmo e bastante confortável. Esta é uma característica muito vincada do Piodão, é verdade que é provavelmente das provas com mais desnível por km em Portugal continental, mas quase sempre a seguir a uma subida dura há uma boa descida para recuperar. Se estiverem bem preparados para suportar as subidas é uma prova que se faz bem. Claro que depende muito da intensidade com que encaramos a prova, mas eu gostei particularmente deste característica da corrida.

Acabado o zigue-zague entrámos por um trilho espectacular que nos levaria até Foz d'Égua, e aqui apareceu finalmente o grande problema que tive na prova: as câimbras. É muito, muito raro ter câimbras, mas naquela altura já estava bastante calor e transpirei muito. Não bebi muito isotonico nem fui preparado com eletrólitos, por isso era um bomba prestes a rebentar. Quando tive que fazer passadas mais inconstante neste trilho começaram a saltar os músculos por trás da coxa. Meti de imediato dois géis e corri como pude até ao abastecimento na aldeia. 

Chegada a Foz d'Égua, aquele sitio onde filmaram o Shire, a terra dos Hobbits, no Senhor dos Anéis, sabem? 

Porra Açor, isto também já é a gozar com a malta...


No abastecimento comi batatas fritas, frutos secos, sal e isotonico. Faltavam apenas 3km de subida até chegarmos ao Inatel, mas precisava de sair dali recomposto para encarar o que faltava.

Mais uma vez no fundo do vale, seguimos por um trilho na encosta muito bonito, com o ribeiro lá em baixo, sempre ligeiramente a subir. Não seguia com a mesma ligeireza de há duas horas atrás, mas ainda me sentia bem e corria sempre que dava para isso. Desde a Foz d'Égua que se via o Piodão lá ao fundo, não tardou muito até estar novamente nas ruas de xisto da aldeia.

Dentro do Piodão. É no inicio da corrida, mas a rua é a mesma por isso ainda conta! :)
A meta não chegou sem antes apanharmos com o miminho de subir as escadas do Inatel. Obrigado OMDC, foi giro....a sério...foi giro :\

Cruzei a meta com 6h47. Antes da partida tinha para mim que qualquer coisa abaixo das 8h30 seria bom e tinha a esperança de conseguir baixar das 8 horas. Escusado será dizer que fiquei muito, muito contente com a minha prova e, modéstia à parte, acho que foi a melhor ultra que já fiz! Senti-me sempre bem, nunca quebrei e acabei ainda com bastante energia. Depois do calvário de 3 meses após Arga precisava disto para recuperar a confiança e foi a prova que estou a treinar bem. Fiquei ainda convencido com a estratégia de alimentação e de abordagem à prova, depois de me deixar ficar para trás na partida, nunca mais fui ultrapassado até ao final da corrida. Claro que isto tudo em termos de classificação não vale nada, mas para mim soube-me a vitória! Ou melhor, meia vitória, custou-me não ter a minha comitiva habitual à espera na meta e nem consegui saborear bem o feito. Como sempre, a matriarca ficou em casa a segurar as pontas enquanto eu me divertia no monte!

Quanto à prova, basta dizer que entrou directamente para o meu top 3, a fazer companhia ao MIUT e Serra d'Arga. Montanha a sério, subidas e descidas longas, trilhos "verdadeiros", difíceis e divertidos, paisagens de cortar a respiração, abastecimentos em número e quantidade perfeitos e um local de meta inigualável. Foi a minha primeira vez no Piodão mas certamente não será a ultima, caso consiga ser um dos poucos privilegiados a conseguir passagem!

Fui para o carro, vesti-me, pus uma roupa quente que estava frio, preparei-me para a viagem de 250km até Almeirim e liguei o motor. Na rádio estava a tocar novamente o Samuel... Perfeito :)

domingo, 20 de março de 2016

ESTOU VIVO!

Ora deixem só aqui desviar estas 6 fraldas sujas do mais novo, arrumar os 263 bonecos da mais velha, acalmar o choro duplo, tirar o som ao telemóvel do trabalho, fechar o mail, só mais um esforçozinho, espera, está quase, é agora..... CONSEGUI!!! Saí da toca, estou VIVO!!


Antes de mais, as boas noticias: estou finalmente 100% livre de lesões! 

Agora as más: falta 1 (UM) mês para o MIUT! 


Pronto, na verdade não é caso para tanto drama... Depois de 4 meses a batalhar com as consequências de ter abusado no ano de 2015, os últimos dois meses a treinar sem espinhas souberam incrivelmente bem. Sei que 3 meses de treino a sério para uma brutalidade de prova como o MIUT é muito pouco, mas também estou consciente que saber o que me espera é uma grande vantagem. 

A outra grande vantagem? Essa tem um nome: Sara. Num 2016 de máxima intensidade, com mudanças muito grandes na minha vida, se não fosse ela a segurar as pontas era impossível estar em condições para o MIUT. E a verdade é que estou bem! Tenho treinado muito, mas principalmente tenho treinado bem. Para isso contribuiu muito a descoberta de um novo parque de recreios a menos de 1 hora de casa, a Serra de Montejunto.

A vista no fim do treino de ontem
Poser...
Um pico a 670 metros, subidas com 3km e quase 500+ e uma variedade grande de trilhos muito técnicos. Um verdadeiro paraíso para treinar onde já apanhei de tudo: sol, chuva, frio, granizo do tamanho de berlindes e até um nevão!


Foram já vários os treinos com muito desnível e a consequência disso são algumas semanas a roçar os 5000d+. Sim, ando um bocado obcecado com isto do desnível positivo, mas porque me parece um factor determinante no treino para uma prova como o MIUT, com 7200d+ em 115km. Além de treinos com muita subida e descidas o mais longo e técnico que consigo encontrar, tenho-me focado muito em treinos de escadas, rampas e o muito útil Bosu. 

Entretanto ainda consegui encaixar dois treinos brutais na Serra de Sintra, num circuito perfeito, idealizado pelo treinador José Carlos Santos, o Sintra Trail Extreme Remixed. Um percurso com 26km e 1600d+, com 90% de single tracks muito, mas mesmo MUITO divertido! Uma espécie de condensado com tudo o que a corrida de montanha tem de bom e que devia ser obrigatório a toda a gente que faz trail.

No fim até dá direito a crioterapia na Lagoa Azul

Continuo sem nenhum acompanhamento no treino, apesar de ter plena consciência que o treino para uma prova como o UTMB requer mais do que instinto e senso comum... O MIUT vai ser determinante para a continuação ou não desta estratégia. 

Apesar do pouco treino sinto-me mais forte e melhor preparado do que o ano passado, e ainda me faltam duas semanas de carga. No entanto, há uma grande diferença em relação a 2015, apesar do treino ser melhor tenho zero provas este ano, enquanto que no ano passado nesta altura já tinha os 50km de Proença e Abutres e os 117km de Sicó. Estou menos desgastado, é certo, mas o ritmo de prova é completamente diferente e receio que possa vir a ser uma limitação na preparação. Com isso em mente, e porque me sinto bem, decidi ir aos 50km do Piodão dia 2 de Abril. Vai servir como ultimo grande treino, mas com uma grande condição: ao mínimo sinal de lesão paro imediatamente, para não acontecer como em Arga. Escusado será dizer que estou super ansioso que chegue a prova, estou cheio de saudades!


Ok, acabou aquele momento sublime do dia em que as sesta dos miúdos coincidem, de volta ao mundo real. Até ao Piodão!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Crónicas de mudança

Já devem ter reparado que o blog está muito parado ultimamente. Não é que não tenha vontade de escrever, essa continua muito viva, assim como o gosto de ler sobre corrida. Este blog ainda é o meu espaço preferido para escrever, mas os últimos dois anos levaram-no para um caminho inicialmente diferente do que imaginava. Tenho muita vontade de vos relatar as aventuras que vou tendo em provas, mas apenas isso. Tudo o resto parece-me um pouco desadequado para o que o blog se tornou. 

Acontece que em Arga, no ano passado, levei uma grande marretada. Não de ficar com os músculos amassados, mas percebi da pior maneira que sem dúvida alguma abusei nas provas que fiz no primeiro semestre de 2015. Acabei por pagar, e bem, o esforço todo que foi acumulado e não aguentei mais uma caminhada para a quarta prova de 100km de 2015. Cedi. Passei um calvário de lesões mal curadas, dores e dorzinhas, tudo fruto do excesso de carga. 

Com a noticia do UTMB decidi focar os meus esforços apenas em duas grandes provas este ano: MIUT e UTMB. Tudo o resto é dispensável, não vou arriscar um milímetro, principalmente se isso significar não conseguir estar presente em Chamonix. Custa-me muito, porque adoro provas e competir, mas a alternativa é muito, MUITO pior! Estou ainda inscrito no Piodão e Estrela Grande Trail, mas se na altura não me sentir a 100% terá que tomar o mesmo rumo que UTAX, Abutres, Proença, Ericeira, etc etc etc - o caminho do DNS. 

Dito isto, como percebem, neste momento tenho muito poucas provas para vos relatar. No entanto, comecei há umas semanas um desafio que me está a deixar muitissimo entusiasmado. Foi-me proposto pela A20KM TV, um projecto da Associação 20km de Almeirim, escrever uma série de crónicas sobre a minha ida ao UTMB. A ideia é escrever crónicas semanais sobre o trail, o UTMB, o treino, a ultra maratona, etc, mas dirigido a pessoas que, ao contrário de vocês que seguem o Quarenta e Dois, não estão intimamente ligadas à corrida de montanha. Tem sido muito refrescante e dá-me um gozo brutal, estou cheio de ideias e com vontade de escrever todos os dias!

Criei um separador novo aqui no blog (podem consultar o atalho na fotografia ali do lado direito ou na barra lá em cima) com a compilação de todos os artigos que escrevo. Convido-vos ainda a seguirem a minha página de Facebook, onde a actividade é muito mais regular (eu gosto muito do Facebook como ferramenta de comunicação, e não tenho vergonha de o admitir!) e ainda a página do Atletismo Almeirim, onde são publicadas primeiramente as crónicas.

Espero que gostem e que sigam com o mesmo interesse que o Quarenta e Dois vos despertou. Quero no entanto deixar bem claro, o blog não morreu! Só está mais completo :)


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Também odeio 12 coisas no trail

No seguimento do post do TopMáquina sobre as 12 coisas que ele odeia no trail, venho eu próprio destilar algum azedume e acrescentar os meus 12 pontos:

13 - Aquele pessoal que vai o caminho todo a gritar "PAU!", "PEDRA!", "BURACO!!". Pronto, agradeço a preocupação, mas quando vou num trilho qualquer não estou à espera que seja tipo ciclovia. Avisem quando virem alcatrão.

14 - Aquele artista que apanhamos a meio de uma prova e nos diz "aaah, eu hoje venho em modo treino!!"

15 - Enganar-me numa descida e ter que voltar para trás a subir.

16 - No inicio de alguma subida lixada alguém dizer "ui, isto não é nada comparado com o que apanhei no Ultra Trail da Charneca!!". 

17 - Aqueles minutos de horror quando se despe o impermeável num dia frio depois de chover e temos a tshirt toda transpirada.

18 - Aquele pessoal que vai o caminho todo a mandar bocas parvas alto e bom som. Normalmente é uma tendência mais acentuada nos primeiros quilómetros, depois amansam.

19 - Aquele "aaaaaah" condescendente quando confirmamos a alguém que algumas partes dos "x"km da prova são feitos a andar. Depois lá temos que explicar que há subidas que são coiso, e que algumas partes do percurso são não sei o quê...

20 - Atletas a ouvirem musica alta durante uma prova. A probabilidade da musica não prestar para nada é alta e toda a gente sabe os perigos de ficar com uma musica má na cabeça numa prova que pode durar horas. Palavra chave: headphones.

21 - Desculpas pré prova. O vosso interlocutor até pode parecer muito interessado, mas na verdade muito pouca gente quer saber se vos dói a barriga, se dormiram mal, se vêm em modo treino, se vêm só acompanhar um amigo, etc etc etc.

22 - Corta-fogos. No outro dia li um estudo que 1 em cada 10 pessoas já adormeceram a subir um estradão a pique.

23 - Perceber a meio de uma corrida que nos esquecemos de cortar as unhas dos pés e ter plena consciência que vamos acabar a prova a contorcer-nos nas descidas.

24 - Batatas fritas moles nos abastecimentos.

EDIÇÃO (lembrei-me de mais duas)

25 - Engarrafamentos na entrada dos trilhos.

26 - Quando vais a meio de uma prova, já todo desfeito, e ouves alguém dizer "agora é que isto vai começar eh eh eh eh!" (normalmente é só fogo de vista, ainda estão piores que nós).




quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Ultra-Trail du Mont-Blanc

Acho que já todos fizemos aquele exercício de parar um pouco e pensar nas acções e decisões que fizemos ao longo da nossa vida e que nos trouxeram até àquele preciso momento. É engraçado, faz-nos sentir intimidados e pequeninos. Infinitas pequenas variáveis ou acontecimentos marcantes que alteram por completo o rumo das coisas, tudo a fluir até este preciso momento. 

Não consigo sequer imaginar tudo o que me trouxe até às 08:56 de ontem. Estava dentro do carro, à porta do trabalho e com o telemóvel na mão. Lembro-me que desliguei o rádio e olhei para o relógio. Foi um ou dois minutos antes das 9 que fiz refresh no site. Consegui identificá-lo claramente. Um daqueles momentos que sabemos vai mudar TUDO. Fui seleccionado para participar no Ultra-Trail du Mont-Blanc.

Podia dizer-vos que a minha participação no UTMB começou naquele momento, mas é mentira. Começou muito antes, quando comecei a correr. Quando a meia maratona me parecia uma parvoíce que não dava prazer nenhum. Mais tarde foi a Maratona que passou do reino dos super-heróis para o dos comuns mortais. Continuou quando fiz a minha primeira corrida em montanha em 2012, dia em que jurei para nunca mais. Foi ganhando forma quando passei pela primeira vez a barreira dos 42km no ano seguinte. De repente estava nos 80km, depois 100, depois 115 na Madeira, cada vez mais alto, com uma vista mais desafogada do horizonte, limites alargados, mais confiante! Tudo isso levou até àquele típico momento de viragem. Parei, e pensei: "e se....?". 

E se tentasse o UTMB?

Hoje, aqui sentado, sei que a minha vida não vai voltar a ser a mesma depois daquele sorteio.

Fiquem por aí, acho que a viagem vai valer a pena.




terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Lamurias

Aviso à navegação: este post contém doses elevadas de queixume e lamurias, avancem por conta própria e risco.

PORRA PRA ISTO!

Farto, farto, FARTO destas merdas de dores e dorzinhas que não há meio de passarem! Desde Arga, altura em que provavelmente atingi um pico na preparação para o UTAX, que parece que abri a puta da caixa de Pandora. Ora é o gémeo direito, depois o gémeo esquerdo que tinha ciúmes, depois a merda do pé que no trabalho achou boa ideia virar-se ao contrário, bastões de carbono trocados por canadianas de alumínio... Três meses sem jeito nenhum de pára arranca nos treinos, provas canceladas umas atrás das outras, objectivos redefinidos, forma a milhas de distancia, moral a descer, peso a subir... BAAAAH!

Eu sei, o corpo humano não é uma máquina e o esforço a mais eventualmente tem que se pagar. Há 3 anos que não tinha um período de paragem de mais de uma semana, calculo que isto seja uma espécie de karma de corredor. Mas porra, já chega!!

Isto tudo conseguiu eclipsar um ano que até Setembro estava a ser perfeito, com boas provas e principalmente muito e bom treino. Se nos primeiros 9 meses tive uma média de 300km/mês, passei a 170 no ultimo trimestre. Até o somatório final ficou nos 3200km, aquém dos 3400 do ano passado. 

Entretanto têm sido muitas as provas canceladas. Mora, Ericeira, São Silvestre e Vicentino já saltaram, agora são os Abutres que estão no limbo. O que me assusta mais é o primeiro grande objectivo de 2016 a aproximar-se a passos largos, o MIUT. Faltam apenas 4 meses e sei, por experiência própria, que terão que ser 4 meses muito intensos para sobreviver novamente à Madeira. Quanto ao segundo objectivo, se tiver sorte falaremos dele a 13 de Janeiro.

O lado positivo é que parecem haver melhorias ultimamente. Vou arrastar-me para aquela luzinha ao fundo do túnel e rezar para que não seja só um frontal com pouca pilha esquecido no chão. Um revés agora era devastador para a moral e para os objectivos do ano novo que se aproxima.

Vamos lá a isto, então.