As minhas corridas na estrada

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Correr é um NOJO!!

....ou aquelas coisas que todos fazemos mas que não gostamos de admitir.

Considero-me um gajo asseadinho. Ando limpinho, tomo banho todos os dias, faço a barba e lavo os dentes 3 ou 4 vezes ao dia. Tenho gosto que a minha casa esteja sempre limpa e no geral sou organizado. Sou, é verdade. Mas isto muda tudo quando visto o equipamento para correr. Aí, senhoras e senhores, perco as maneiras todas! Não, nem é bem isto, aí torno-me um nojento!!

Começa com o equipamento em si. Como corro todos os dias sujo muito equipamento, mas visto que não posso fazer uma máquina de lavar cada vez que suo uma camisolinha, este vai-se amontoando no cesto da roupa suja. De vez em quando faltam-me os calções ou calças para correr. Ah, está para lavar? Eia cum caraças...dou por mim a remexer no cesto da roupa suja. Olha, visto na mesma sujas que ninguém nota! Escusado será dizer que roupa suada armazenada durante 3 ou 4 dias acentuam um certo odor característico, o chamado efeito "animal-morto-há-15-dias". Será que isto me demove? Não, porque sou nojento. Visto na mesma e ala que se faz tarde.

Depois há o cuspir para o chão. Ponto prévio: as pessoas que cospem para o chão na rua não merecem o titulo de Ser-Humano. É mau de mais, um nojo! A não ser que estejam de calções e t-shirt a correr... É que não há nada a fazer, eventualmente vai ter que sair! Gosto especialmente de cuspir quando vou a correr a favor do vento. Posso cuspir para a frente à vontade e admirar a trajectória perfeita do projéctil. Já cuspir contra o vento requer alguma técnica, primeiro olhar por cima do ombro, verificar que não vem ninguém e, tau, lá vai disto. Quando o vento é muito forte há o perigo de ficar logo colada à bochecha, pescoço ou ombros. No problem, limpa-se com a camisola!

O assoar para o chão é um processo que alia a componente técnico-táctica a uma nota artística, como diria o JJ. Não é tão frequente como o cuspo, mas tem que ser feito! E não estou a falar daquele assoar para o chão gracioso, à Cristiano Ronaldo, que antes dos livres com uma mão na cintura e outra no nariz, em concha, desvia ligeiramente a cabeça e manda o ranho para o chão. Não não, nós estamos a correr, há movimento, há vento, há atrapalhação! A regra básica é assoar a narina direita para o lado esquerdo, e vice-versa. Podemos fazer uma tentativa de desviar o ranho do corpo, inclinando a cabeça para a frente enquanto corremos, mas sejamos francos, há uma probabilidade de cerca de 80% de ele ficar é logo algures no nosso equipamento. O melhor é aceitar isso e deixar os malabarismos e contorcionismos que ainda caímos ou torcemos um pé. Um bocadinho de ranhoca na t-shirt nunca fez mal a ninguém!

Urinar, ... não, chamemos as coisas pelos nomes: mijar. Mijar na rua é outra coisa que temos que aceitar se queremos correr. É feio, muito feio, horrível até! Mas correr com a bexiga cheia também, o que é que se há-de fazer... Corro muito no campo, e aí mijo em todo o lado. Mijar na rua não tem grande ciência, é só encontrar o local perfeito e a iluminação ideal. O melhor é encontrar um terreno vazio ou uns arbustos densos, o vento e movimento não são problema porque estamos parados. Nas provas atinge-se outro nível. Não sei se é da ansiedade, do nervosismo ou por estarmos entre nojentos iguais a nós, mas acontecem verdadeiras convenções de mijo!  

Os problemas intestinais estão entre as maiores razões de desconforto para um corredor. Quem é que gosta de correr com dores de barriga? Às vezes é mesmo inevitável, temos que soltar algum vapor para aliviar a pressão, quem é como quem diz, peidarmo-nos. O peido corrido é um assunto delicado e tem uma característica que toda a gente que corre sabe: nunca, mas nunca é silencioso. Confesso que nesta área ainda tenho algum pudor, tento efectuar a operação apenas quando tenho a certeza que ninguém ouve, ou quando está a passar um camião. O truque é aceitar o peido, não pensem demasiado nisso. Soltem o nojento que há em vocês!

Como gajo asseadinho que penso ser, a limpeza de uma casa de banho é muito importante para mim. É verdade, gosto de uma casa de banho limpa e bem cheirosa. Quem não gosta? Mas depois visto o equipamento... E agora?! Bem, já que a minha imagem desceu a níveis MUITO baixos, e estamos numa de confissões, aproveito para fazer aqui uma última:


Eu, Filipe Honório Torres, por variadas e diversas vezes, já caguei no mato!




Obrigado e boa noite!


22 comentários:

  1. Caramba assim morro a rir!
    Que texto tão nojento, digo tão bom!
    Vou dar destaque no Último Quilómetro!
    Um abraço.

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  2. Foi na corrida que eu descobri como dar vazão (literalmente) à faceta mais nojenta da minha pessoa. :D

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  3. Ahah.
    Primeiro que tudo, parabéns, é a primeira vez que vejo o assunto tão detalhadamente abordado.
    E um pacote de lenços de papel já me fizeram tao feliz;).
    De resto, Concordo e pratico quase tudo...prefiro desfazer menos vezes a barba e em alguns caso um alguidar é o meu melhor amigo, ou então até a gata me obriga a ter a roupa de desporto na varanda...cheiro de manada de cavalos mortos há 15 dias
    abraço

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  4. Falta o parecer de uma senhora, aqui vai:
    - roupa - como tenho uma quantidade enorme de t-shirts e calções, nunca precisei de reutilizá-los, mas já reutilizei tops/soutiens desportivos (são caros e tenho poucos).
    - cuspir para o chão quando se corre- check!
    - assoar - infelizmente, não consigo fazê-lo ao modo snot-rocket, suponho que requer muita prática! Por isso, ou é lencinho de papel ou a manga mesmo (sorry, nojento, mas sim, as senhoras também o fazem)
    - Mijar na rua - check (embora para os homens sejam muiiiiito mais simples. No nosso caso, convém estar com alguém para "ficar de vigia") :)
    - Transtornos intestinais - ora aqui está algo de que me posso orgulhar em 2 anos de corrida: nunca tive de fazer nenhum pit stop! Mas agora que treino sobretudo na "mata", o perigo também já não é tão grande. ;)
    - Ténis/sapatilhas (não falaste mais acrescento) - a não ser que tenham sido submersos na íntegra em lama, é mesmo necessário lavá-los alguma vez?! I don't think so... :)

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    1. Subscrevo em tudo, e alias, o "aliviar a tripa" no mato, solta o lado "animal" que há em nós... Quem corre sabe bem o alivio que é quando a natureza nos chama ;)

      Não subscrevo quanto aos ténis, NUNCA, mas mesmo NUNCA são lavados para não perderem as características do amortecimentos (bem, verdade seja dita), alguns são lavados naqueles dias de inverno quando corro à chuva ;)

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    2. Subscrevo o depoimento/confissão do gênero feminino!!!! E tb não consigo assoar em modo snot-rocket,...mas um dia terei de tirar o curso ;) é que depois de duas assoadelas em lenços de papel ficam de tal maneira desfeitos que nem sei onde guarda-los e a seguir lá está a manguita a ser usada :(

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  5. Uma palavra para vocês todos: BELHÁC!!
    :))))

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  6. É pá, muito bom!
    E sim, também sou um "transformer", um Pedro no dia-a-dia e outro bastante diferente com o equipamento vestido.
    Revejo-me em quase tudo, só ainda não tive que "ir ao mato". Até ver...
    Abraço!

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  7. :) muito, muito bom! quem não se revê nisto? :)

    mas lamento informar-te que não és só tu e há alguém que para além de já ter cagado no mato...pior, pior, muito pior...já cagou (sim, na rua, na via pública, sim, claro numa zona mais ou menos resguardada)...cagou dizia eu...ai que até me custa...cagou em...Paris!!!!!

    Paris meu deus, nessa cidade linda e romântica....pois mas decorria o ano de 2001, mais concretamente dia 8 de Abril se não estou em erro, e estava na partida da que seria a minha 1ª Maratona....(para quem quiser ler, aqui: http://ascronicasdaana.blogspot.pt/2009/02/maratona-de-paris-2001-minha-1-maratona.html ) e as filas para a casa banho eram intermináveis e a coisa apertou e ....e teve de ser! :) Pronto, não tenho desculpa: caguei no meio de Paris...não é para todos pois não?

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  8. Olá Filipe.
    Declaro que me sinto culpado em algumas, não em todas.
    Este fim de semana a estrada do Guincho ficou bonita ficou. :)
    abraço
    Manuel Nunes

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  9. Fantástico Filipe....mais um post muito muito bom. Fartei-me de rir e revejo-me em todos os pontos....e tivemos o Bonus de saber que alguns "podres" aí de alguns bloggers (então a Ana a cagar em plena cidade de Paris é demais - a tropa manda desenrascar)...hehehehe. Por acaso ainda no sábado, num treininho matinal pelas matas do meu Quintal, deu-me um aperto daqueles, e lá fui eu "estrumar" o local onde ia a passar....e queres saber uma coisa? Soube tão bem :)
    Aquele abraço

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  10. Lá se foi a imagem idílica da corrida que as sportlifes nos trazem :) eh eh...Mas por outro lado se o CR7 pode fazer alguns "truques", nós também, ora essa! Abraço

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  11. Epa muito bom, grande post! Check em tudo! Ok menos no assoar, a técnica ultrapassa-me :)

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  12. Se estamos numa de confissões, eh pah... eu uma vez, num regional de Corta-mato, não aguentei e mijei a correr só para não perder lugares na classificação! :)

    Abraço

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    1. Ó pahhhh, confissões por confissões, este ano foi a minha primeira vez na corrida das Fogueiras e fiz um "tempo canhão" (pelo menos para mim) porque fiz a corrida toda com vontade de mijar, nos ultimos Kms nas fogueiras bem que podia ter parado, mas não quis perder tempo na qualificação, looool, resultado, assim que cheguei à meta, atravessei as grade é foi enviar "águas" para o mar de Peniche, encostado a um barco enorme que estava perto da meta - foi mesmo ali, à descarada e à frente de centenas de pessoas, mas ou era isso, ou era mesmo pelas pernas abaixo...

      Mas só não parei na corrida, como acho que até corri mais depressa :)

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    2. Sérgio,
      Parece que este ano a corrida das fogueiras foi uma prova complicada, pois quando ia lá para o km 10 comecei a ter dores intestinais e não havia ventania orientada (o vulgo peido) que safasse o que quer que fosse. Foram 5 kms a correr com dores e bem apertadinho.

      À entrada em Peniche juro que me chegou a passar pela cabeça dirigir-me a um dos muitos populares que assistiam à prova de sua casa pedir se me deixavam ir a sua casa mandar aquilo tudo fora.

      No fim lá acabei por aguentar e mal acabei a prova foi ir ao primeiro restaurante, e depois de explicar a situação, lá chegou o alívio final.

      Foi a primeira e espero que não haja outra.

      Fernando Varela

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  13. O último nojo foi vomitar na meta. Mesmo à chegada só câmaras apontadas a mim... ahahah que nojo !!!

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  14. Devido ao BTT não é a primeira nem há-de ser a última vez que faço algumas dessas (ou todas) no meio do mato... Agora a correr e no meio da cidade, tive a minha primeira experiência num dos meus úlitmos treinos, ia eu a caminho da zona do Parque das Nações... Foi mesmo encostadinho a um poste, meio escondido, mais ainda assim, foi mesmo no meio da rua!
    Minimizou a vergonha o facto de já ser de noite...

    Vemo-nos por aí!
    Abraçorros

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