As minhas corridas na estrada

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Ultra Trail Serra da Freita (60km) - As Goelas do Mundo do Moutinho

Levantei-me, equipei-me e tomei o pequeno almoço em silêncio, para não acordar a família. Eram 5 da manhã quando saí do nosso Airbnb na Póvoa das Leiras, no coração da Serra da Freita. Estava fresco, nada que obrigasse a mais que uma tshirt. Liguei o carro e fiz-me aos 25km que me separavam de Arouca numa estrada muito boa, uma montanha russa a contornar as montanhas da Freita. O sol ainda não tinha nascido mas já se vislumbravam os contornos dos monstros e uma fina linha vermelha denunciava o crepúsculo. No rádio entrou a guitarra nervosa da música "Eu só preciso", do Jónatas Pires, quando um arrepio gigante percorreu o meu corpo todo. Volume no máximo e janelas abertas, deslizava sozinho na estrada, como se todas as peças tivessem encaixado naquele momento! Algo me dizia que o dia ia ser...épico!

Onde há Fritz há grandes fotos. Não falha.

Seis da manhã na Escola Secundária de Arouca. Há dois anos, no mesmo sitio mas para os 100km, estava um caco. Nervoso, ansioso, com tosse e dores de cabeça fruto de uma noite gelada e muito mal dormida. O pior de tudo é que estava longe de saber o que me esperava. Este ano estava no extremo oposto. Muito tranquilo, depois de uma semana com bom sono e a pulsação em repouso a indicar boa forma (yep, controlo isso), mas principalmente ciente do que me esperava e de como o enfrentar. Parti às 6:15, na quarta vaga de 100 atletas. Tudo perfeitamente organizado e fluido, como é apanágio do UTSF. 

Chefe Moutinho em frente da grelha de partida. Foto do Fritz

O percurso mantem-se igual a 2019 até aos 3km, mas logo abandonamos a subida até ao Detrelo da Malhada que caracterizava as edições anteriores, para nos embrenharmos num trilho num bosque húmido e muito fechado, com trilhos de terra escura, pedras de granito cobertas de musgo, lama e a sempre presente água que corria num ribeiro que atravessámos incontáveis vezes. Muito sobe e desce curto, a fazer lembrar os Abutres, naquele segmento entre Gondramaz e Espinheiro. A "Via Dolorosa", conforme nos informava uma placa no inicio. Um trilho técnico e de progressão lenta. Muito bom! O pior é que, tendo partido na quarta vaga de 100 atletas, os 10km que separavam a Via Dolorosa da partida não tinham sido suficientes para dispersar o pelotão, então foi todo feito num irritante e frustrante pára-arranca.

Outra do Fritz. Se eu fosse famoso tornava-o o meu fotografo oficial. Acho que isso é uma coisa que os famosos fazem.

Primeiro abastecimento em Pedrogão. Saímos do bosque e entrámos finalmente na Freita. Embocamos no PR8, um trilho arrancado à encosta, em xisto, muito exposto e difícil. Paisagem agreste e declives brutais levaram-nos às entranhas de uma garganta muito apertada. De repente eram só troncos, pedras, correntes e cordas. Impossível correr, enquanto nos enfiávamos dentro da barriga do diabo. Até que.. lá estava ela... a placa a indicar que tínhamos entrado nas Goelas do Mundo.

As Goelas vistas de cima. Aquele vale apertado lá em baixo é o que estava a falar. Foto tirada do Facebook da prova.

Uma das coisas que sempre me fascinou na Freita é a maneira como os trilhos têm personalidade. Fruto, obviamente, da paixão com que o Moutinho não só fala deles mas principalmente pela maneira como os pensa. Não há mais serra nenhuma em Portugal em que hajam tantos trilhos dos quais basta dizer o nome e que todos identificam. À Besta, Escadas do Martírio, Três Pinheiros, Bradar aos Céus, entre tantos outros, juntou-se agora o inacreditável Goelas do Mundo. Há meses que o Zé Moutinho nos prepara para ele na sua página de Facebook. Todos acompanhámos o trabalho árduo e a maneira como o mestre se apaixonou por este novo monumento. Era a grande novidade do UTSF e a razão pela alteração do percurso nos primeiros 20km. Dizer que sobreviveu às expectativas é pouco. Se não é o melhor e mais difícil trilho da Freita, anda lá perto!

Conseguem ver o trilho ali na crista? Do Facebook da prova.

Depois do primeiro km, em que nos afundamos na garganta mas que mal subimos, chegamos a uma lagoa alimentada por uma cascata lindíssima. A partir desse ponto a progressão só é possível porque fixaram uns varões de aço na rocha que servem de apoio para os pés e mãos, era impossível progredir sem eles. Já saímos do meio das árvores e agora subimos completamente a pique pela crista de um dedo da montanha. O próximo quilómetro, em que subimos quase 400 metros, foi conquistado a força de braços e pernas, impossível usar os bastões. Este é daqueles que justifica o regresso todos os anos! O único problema foi o trânsito... Nesta altura os trilhos mais difíceis ainda eram todos feitos no pára-arranca.

Foto do meu amigo Marco Domingos. Procurem as pessoas.

Tebilhão, 20km, segundo abastecimento e o famoso ponto em que os percursos se separam. Desta vez segui, com alívio, para a direita, em direção aos 65km, em vez dos 100km. O que já não se pode dizer é que os 100km só começam ali, as Goelas já fazem bem parte do menu. 

4km de trilho fácil até à Povoa das Leiras e estava na base da Besta. Até me arrepio só de pensar no que a malta da prova grande ainda teria que passar até chegar àquele ponto! O ano passado cheguei ali completamente de rastos e ao início da noite. Agora estava com 24km e fresco de pernas, fruto do transito que apanhei até ali e que me obrigou a andar mais devagar. Mas a Besta é a Besta. Ou será a Freita? Bem, o melhor é subir.

A minha melhor foto da Besta. No dia seguinte fui lá com os miúdos. Acho que é um bom trilho para iniciação.

Aproveito para fazer aqui um pequeno parênteses no relato. Os 100km da Freita são a verdadeira prova idealizada pelo Moutinho. Os 65km continuam a ser uma prova extraordinariamente exigente, mas incomparavelmente mais fácil que os 100. É indescritível a diferença que aqueles 35km entre Tebilhão e Povoa das Leiras fazem. Há dois anos disse aqui que saí com um amargo de boca. De facto, não desfrutei grande coisa da prova. É demasiado difícil durante demasiado tempo. Corrijo, é SEMPRE difícil. Rebenta com os pés, o corpo e o espírito. Se a distância se tivesse mantido nos 65/70km, com aquele nível de exigência, pra mim era o ideal. Mas a minha opinião não conta pra nada e esta é a prova do Moutinho. É assim que tem que ser. Serve isto para dizer: querem ver o que é a Freita, vão aos 65km. Querem perceber o Moutinho, vão aos 100km. Mas preparem-se. Não é para qualquer um.

Bem, voltemos. 

Já sem filas, escalei a Besta ao meu ritmo. Que maravilha de subida. Não me entendam mal, é uma parvoíce de difícil, com pedras para escalar com mais de 1 metro de altura, rochas escorregadias e cheiinhas de musgo, água corrente, mãos e pés molhados. Como as pernas ainda estavam frescas não haviam sequer ameaças de cãimbras. Foi prazer puro o que senti, para transpor o km com 350+, até finalmente ser cuspido já depois dos 1000m de altitude. 

Já não sei bem onde isto é. Mas é do meu fotografo oficial e está boa.

Lembro-me do Moutinho uma vez ter dito que depois da Besta, até ao próximo abastecimento em Bondança, seria uma secção fácil, com trilhos limpos, planos ou a descer, para descansar da tareia que tínhamos levado até ali. Claro que isto faz muito mais sentido para quem vem na prova grande, mas ali soube mesmo bem rolar aqueles km até encontrar o abastecimento. 

Continuava a sentir-me super bem, com pernas para correr e força para subir. Depois de Bondança temos uma pequena subida que nos leva de volta aos 900m, antes da descida enorme para as Porqueiras. Mesmo naqueles metros finais da subida em que viramos o monte, meti o trote e as pernas responderam fácil. Com a "Eu Só Preciso" do Jónatas na cabeça desde o início, foi impossível não ficar arrepiado com a vista do horizonte enquanto corria leve e, agora sim, finalmente sozinho como eu gosto, rumo à descida. Um daqueles momentos perfeitos e inesquecíveis. 

Eu sei que esta é repetida, mas adequa-se ao momento. Do Fritz.

Desci motivado os 4km de trilhos que se vão tornando cada vez mais intricados e inclinados à medida que nos aproximamos do fundo, nas Porqueiras. Sempre a trabalhar de bastões, continuava a surfar a onda positiva que tinha apanhado desde o início. Que prova perfeita. 

Seguem-se as Escadas do Martírio, primeira metade da subida final de 800+. Muita água, muita sombra e muitos degraus apertados e curtinhos. Perfeito para manter um ritmo certo. Tal como em 2019, bebi água de cada charco que encontrava. Acho que repeti mais de 100 vezes na minha cabeça a máxima "água corrente não mata gente". O que é certo é que ainda não apanhei nenhuma dor de barriga!

No mal cheiroso paraíso da Lomba, local do mítico abastecimento da canja com cheiro a cabra, sentei-me bem disposto a uma sombra e comi a obrigatória bifana com uma mini fresquinha! Em mais lado nenhum bebo cerveja durante uma corrida, mas porra, soube pela vida!

A Lomba vista de cima. Do Facebook da prova.

Seguia-se agora a segunda metade da subida final. A subida de Bradar aos Céus. Em 2019 foi a estucada final, derrotou-me completamente e ainda hoje estou pra saber como é que a transpus. Estava convencido que este ano seria diferente. Só podia, estava a correr tão bem! Mas assim que comecei a meter a cabeça de fora a pensar que estava ganho, TUMBA, marretada!

Ao contrário das escadas, subia agora completamente exposto ao sol. A água já não corria pelo meio das pedras, agora só havia pó, xisto e moscas a atazanar-me. Já não haviam degraus certinhos, eram pedras de todo o tamanho que nos obrigavam a todo o tipo de abertura de pernas. Lembram-se de na Besta as cãimbras estarem longe? Pois bem, estavam guardadas para ali. Sentia-me completamente ensopado em suor, a gerir os líquidos, com os braços completamente rebentados de bastonar a subir e descer. Subi lento, lento, lento os mais de 300 metros de desnível positivo naquele km antes de chegar novamente ao planalto. Até que finalmente o ar deixou de estar pesado e morno e voltei a sentir uma brisa fresca. 

A Mizarela, pelo Fritz. Poucos depois de virar a subida de Bradar aos Céus.

Abananado pela violência da subida, demorei umas centenas de metros até voltar a mim, mas as pernas ainda tinham descida. Ufa, foi por pouco! Corri pelas pedras parideiras e batalhei no incrível PR7, com a Mizarela como imagem de fundo, até chegar ao ultimo abastecimento em Albergaria da Serra. Não me demorei lá mais de 2 minutos dentro, porque uns metros à frente, na praia fluvial, estava a Sara e os miúdos com um rissolinho de camarão e compal de pêra à minha espera. Que prova perfeita!

A rapaziada na praia de Albergaria.




Agora só 15km me separavam de Arouca. Meia dúzia ligeiramente a subir e finalmente a gigantesca descida final. Desta vez descemos pelo trilho que na edição anterior subimos no inicio, desde o Detrelo da Malhada. Mais uma mudança muitíssimo bem vinda. A descida é toda suave, num trilho muito bom  e fácil, no meio das árvores, como uma espécie de prémio para quem chegou até ali. Muito melhor assim. Afinal as pernas ainda estavam carregadas de descida e deu para curtir muito até ao fim. 

No pavilhão lá estava a Sara e os miúdos, que me acompanharam na meta. Já não o faziam desde Março de 2020 por causa da merda da Covid. Mas neste dia todas as peças encaixaram. Desde as 5 da manhã, quando saí do Airbnb, até às 5 da tarde, quando cheguei à meta, 11h07 depois de partir. Aliás, continuou a encaixar na perfeição nas horas seguintes, enquanto descansava ao fim do dia no jardim da nossa casa das Leiras e via os miúdos a brincar, enquanto jantávamos uma posta arouquesa na aldeia do Espinheiro, até ao momento em que nos despedimos da Serra da Freita, no domingo. Que prova perfeita.

Feito.







Fritz.



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domingo, 30 de maio de 2021

Sicó 111km - Back to the future

Foi aqui, no Sicó, que há 6 anos acabei a minha prova de 3 dígitos. Desde então já passei essa barreira por 18 vezes. Umas melhores, outras piores, em todas aprendi e evoluí. Adaptei o treino, alimentação, corpo e mente à grande provação que é estar tantas horas em prova. Agora, dois anos depois da prova Elite da Freita, era hora de voltar aos 100km!

O problema é que o corpo e mente que estavam adaptados em 2019 ficaram em 2019, na era pré-COVID. Percebi isso no fim da Zela, há 3 semanas. Tinha a perfeita noção que não estava com o treino adequado para os 111km do Sicó. Mesmo assim as saudades de embarcar numa aventura de 3 dígitos foram maiores que a razão e, na sexta feira às 22:08, lá parti na oitava vaga de 20 atletas para a 18ª vez acima dos 100. O que eu não sabia ainda é que ao passar o pórtico tinha entrado numa máquina do tempo que me levaria de volta a 2015. E que viagem foi...

Não tenho uma única foto da prova e só sairam meia duzia. O desespero por fotos neste post vai ser muito. Tenham paciência.

Dificilmente se podia pedir uma melhor noite para correr. Temperatura a rondar os 12 graus, sem chuva. Parti só com uma tshirt e manguitos e andei sempre ali no limite entre ter frio e estar demasiado quente. os primeiros 20km passaram num ápice, em menos de duas horas. Muito estradão, pouca subida, feitos sempre a correr e a controlar o ritmo para não abusar. 

25, 30km... Continuamos sem grandes subidas e com muito estradão. Percurso desinteressante mas com destaque para a chegada à bonita Penela, onde apanhámos uma primeira subida mais longa. Lá em cima, no castelo, mais um magnífico abastecimento, como é apanágio do Sicó. Comi e bebi bem e depressa, para não povoar muito o abastecimento.

Castelo de Penela, tirado do sr. Google.

40, 45km... O trote já não era de todo tão leve como até aos 30km. Se dantes ainda fazia algumas subidas a correr, agora já nem tentava. Corria no plano e a descer e mesmo aí já com algum esforço. É o problema de me ter desabituado das distâncias grandes. Elas não perdoam e o meu corpo estava a começar a sentir os quilómetros... 

52km, base de vida em Santiago da Guarda. Cheguei lá com 6h19 de prova e, pode-se dizer, foi mesmo a tempo. Estava mesmo a precisar de me sentar um bocado e assentar ideias.  

Entrei, sentei-me, fui buscar o meu saco e, calmamente mas sem perder tempo, tratei dos afazeres. Troquei de t-shirt e buff, que estavam transpirados, comi uma canja, bebi o meu compal de pêra, mensagem para casa e ala que se faz tarde! ...quer dizer, não sem antes lavar os dentes! Estão a gozar?? Experimentem lavar os dentes numa base de vida para tirar aquela nhanha dos dentes. Ganham uma vida nova!

Eram 4 e meia da manhã quando saí do abastecimento, ainda faltava hora e meia para o nascer do sol. Sabia que a partir dali a prova ia mudar completamente por causa do percurso. O que não esperava era que eu também me alterasse tão bruscamente. A máquina do tempo tinha aterrado. Bem vindo a 2015.

Lá para as 5 da manhã comecei a andar dentro de um nevoeiro denso e uma ligeira morraça. Não conseguia ver mais que o circulo branco e brilhante provocado pelo meu frontal refletido no nevoeiro e no tout-venant branco dos estradões infindáveis. Seguia sozinho, acompanhado pela minha respiração e o eventual tilintar de bastões lá ao longe. O branco tornava-se cada vez mais pastoso, a brita dos estradões parecia que ondulava à frente dos meus olhos e provocada ligeiras tonturas. O declive nunca era acentuado, já não sabia se descia ou subia. Só via o branco da luz, misturado com o branco do estradão, e a cabeça a andar à roda e à roda..

Às 6 da manhã, enquanto cumpria a primeira grande subida num trilho muito bom que nos levaria ao ponto mais alto da prova (553m), já havia claridade suficiente para desligar o frontal. Lá em cima, ao pé das famosas letras a dizer "SICÓ", o ar frio despertou-me um pouco, mas logo a seguir, naquele que para mim é o melhor trilho da prova e nos levaria, a descer, até ao abastecimento aos 66km, o sono voltou a atacar.

Foto do Zé do Zé das Fotos.

No fim do meu primeiro MIUT, em 2015, quando passei pelo mesmo ao nascer do dia, descrevi a sensação como quando estamos a ver televisão à noite no sofá e não conseguimos controlar o sono, mesmo que tentemos. Nunca mais voltei a passar pelo mesmo até esta madrugada. O trilho era bom de correr e as pernas até estavam a responder, mas as tonturas eram cada vez maiores e os olhos insistiam em fechar. Era incontrolável. 

Mesmo antes do abastecimento temos cerca de 1km feito em estrada, aí fechei mesmo os olhos durante alguns segundos. Cada vez que os abria via tudo a andar à roda! Que desespero.

Cheguei ao abastecimento, olhei para o relógio, sentei-me à mesa e deitei a cabeça em cima dos braços. Imediatamente adormeci e apaguei completamente. 

Um barulho. Despertei. Olhei para o relógio, tinham passado 5 ou 6 minutos. Não sabia se seria o suficiente, mas lembrava-me bem do relato da Courtney Dauwalter que no MOAB 240 (uma prova de quase 400km que ela venceu) dormia sestas de 2 ou 3 minutos. Bem, tinha que dar. Levantei-me e fui comer qualquer coisa e beber mais um copázio de café. 

Saí do abastecimento, fiz uns metros a andar para assentar a comida, experimentei a corrida e....não é que estava bem melhor?! Não só estava mais desperto como as pernas até ganharam algum ânimo!

Entre os 66 e os 85km foi mesmo a minha melhor fase em toda a corrida. Estava com um trote fácil, seguia bem disposto e ganhei várias posições. O percurso nesta fase era bem mais interessante, com passagem pelo incrível canhão dos Poios. Havia mais trilhos e tudo corria melhor. Não voltei a ter sono (até ao fim da prova) e, apesar de muito cansado, sentia-me razoavelmente bem. A coisa estava bem encaminhada! 

Canhão do Vale de Poios, uma das zonas mais interessantes do percurso. Tirado do Google

Até que o Marty meteu plutónio no DeLorean, ligou o Flux Capacitor, acelerou a 142km/h e, SNAP, estava de volta a 2015!

Tapeus, 85km. À minha frente estava a maior subida do percurso, a primeira mêmo a sério, com 400m de desnível. Normalmente é nestas subidas que eu ando melhor nas provas. À João Almeida, não vou atrás de ninguém, meto o meu ritmo e lá vou recuperando. A parte de não ir atrás de ninguém estava a resultar. Fui passado por uma dúzia de pessoas. Já a parte de ir recuperando.... bem, isso já não foi conforme o plano. 

Foi com muito esforço que cheguei lá a cima e com ainda mais esforço que tentei trotar no estradão a descer. Não estava a dar. Doíam-me as pernas, as costas, os braços...tudo! Cada passo era um sofrimento. Desci para o trilho das Buracas de Casmilo, um dos mais técnicos do percurso, com muita dificuldade. Arrastei-me por ali a cima e caminhei o km de estrada até ao abastecimento de Casmilo, aos 95km. Foi aqui que deitei a toalha ao chão e acionei o malfadado modo Walking Dead. Já não era um homem que estava em prova. Era um autêntico zombie.

Buracas de Casmilo, tirado do Facebook da prova

No abastecimento dei uma mordidela numa bifana e estive ali com aquilo enrolado na boca uns 5 minutos. Forcei para engolir, comi um bocado de banana e saí. Para ajudar, as nuvens começaram a limpar e o céu ficou limpo. A temperatura que até ali estava fresquinha aumentou brutalmente e agora suava em bica. 

Claro que já não ia desistir ali, afinal cansados estamos todos, mas detesto entrar neste modo em prova. Foi um autentico arrastar de cadáver. Fui metendo o trote sempre que dava, mas parecia um enfezado a correr e já olhava para o relógio de 5 em 5 segundos. 

Até ao final ainda haviam dois obstáculos chatos para transpor. O horroroso estradão a subir, antes do abastecimento do Poço, e o dificílimo trilho da Cascata do Rio de Mouros. 

Cascata do Rio de Mouros, que ontem estava sequinha sequinha. Tirado do Google.

Mesmo na base do estradão, uma rampa super inclinada com sol de chapa e 150+, ainda passei por um oásis. O Fantástico João estava com a sua Liliane a dar água fresquinha e dois dedos de conversa a toda a gente que ali passava! Foi o suficiente para transpor o estradão e nem dar por ele. Obrigado, amigo!

Ultimo abastecimento. O meu relógio diz que faltam 6km, mas foi a medo que perguntei a quem lá estava quanto faltava. "6km!", responderam-me eles simpaticamente! Ufa! Mas eu sabia que não eram 6 simples quilómetros. Pelo menos 2 deles eram passados no super técnico trilho da cascata. Um infindável sobe e desce de pedregulhos, cordas e degraus, ao lado de um leito de rio agora completamente seco, a fazer lembrar alguns trilhos da Lousã nos Abutres. O suficiente para destruir o pouco que ainda tinha!

Saí das entranhas da cascata e faltavam 2km fáceis, mas já nem nas descidas corria! Guardei o último miligrama de energia para correr na reta da meta e cruzei-a com 16h48, uma hora a mais do que tinha idealizado. 

Está feita a 18ª. Voltei a ter sensações que já não tinha há muito. Voltei a ligar o modo walking dead, a ter sono durante a prova, a desesperar com o percurso, a ter dores no corpo todo, a sofrer muitíssimo, a ter dores de barriga, a ter assaduras em todo o lado, a ter calor, a ter frio...a viver! 

Caraças..que saudades disto!


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segunda-feira, 3 de maio de 2021

Zela Ultra Marathon (55km) - RUDE.

Outubro de 2020. Foi a ultima vez que usei um dorsal. Foram praticamente 7 meses nos quais continuei a treinar com a frequência do costume, a ir para os quintais do costume, com a distância e intensidade do costume... Por outras palavras: foram 7 meses bem instaladinho na zona de conforto! 

Não me entendam mal, nunca deixei de correr pelo menos 6 vezes por semana e nunca falhei uma ida à serra ao sábado, por isso mesmo sentia-me confiante e em forma. Tão confiante que há uns dias, quando o João Miguel me disse que estava inscrito na Zela Ultra Marathon (já não se lembrava), eu nem pensei duas vezes em dizer que também ia! 

Não demorou muito... Ainda nem 10km tinha quando o Filipe de 2019 apareceu com ar de gozão na minha cabeça e disse "ah achavas que isto era só querer? Prepara-te e aperta o cinto, vais embarcar numa bela viagem muahahaha".

Yep.

Fotografia do Fritz escandalosamente cropada. Desculpa amigo, lá para a frente já a meto completa, só queria que se visse melhor a a cara de bebé chorão do Filipe de 2021.

5 da manhã e estávamos os dois a sair de Almeirim. Claro que, com toda a leviendade, achámos que era perfeitamente razoável fazer 250km para cada lado, com uma prova de 55km e 3600+ pelo meio, no mesmo dia. 

Sete e meia da manhã já estávamos em Vouzela. Céu limpo, moderadamente frio, parti com roupa suficiente e ainda bem que não cedi ao fresco da madrugada, o dia viria a aquecer. Mostrámos o equipamento obrigatório e partimos na terceira vaga, pontualmente às 8:06. 

A partida, super bem organizada, foi numa grid tipo F1. Aqui partiram os aviões da primeira vaga, eu estava lá atrás com o João Miguel pronto para a terceira. Foto do Fritz.

Tinha feito a distância de 42km há 3 anos, mas lembrava-me muito pouco do percurso. Em 2018 foi um dia muito chuvoso e fechado, não me consigo lembrar de quase nada. Antes da prova ainda subrepus os dois tracks e percebi que haviam alguns troços em comum na primeira metade, mas cerca de 30 ou mais km eram novos. Enfim, siga, era só mais uma ultra! [inserir aqui aquele emoji do boneco com a mão na testa].

Logo logo, a prova mostrou ao que vinha. Mal passamos o pórtico começamos a subir a pique. Primeiro em estrada, para não nos assustarmos, depois estradão e finalmente nos omnipresentes blocos de granito. As subidas invariavelmente tinham troços de escalada, com o devido alçamento de perna e utilização dos membros superiores para nos içarmos. As descidas eram quase sempre tão ou mais dificeis que as subidas, super inclinadas e muito técnicas. A progressão era lentíssima, portanto. 

Foto do Fritz, que mostra bem ao que íamos.

Sabem aquela sensação nas provas grandes de olhar a primeira vez para o relógio e ficar surpreendido por já terem passado 20 e tal km? Pois. Esqueçam. Comecei a olhar para o relógio logo aos 6km, aos 10 tive que olhar bem para tentar perceber se por engano tinha mudado as definições para milhas em vez de km. Juro! Sentia-me demasiado quente, com dores de cabeça e suores frios. Vi a coisa muito torta lá para os 15km, passou-me pela cabeça que talvez viesse de Vouzela o meu primeiro DNF!

O parte pernas era de uma violência brutal. As subidas nunca eram longas o suficiente ao ponto de entrarmos em modo subida e as descidas invariavelmente eram dificeis de mais para recuperar o que quer que fosse. Não havia cume nenhum nas redondezas onde não fossemos picar o ponto, saltitávamos de bloco de granito em bloco de granito por cristas cinzentas. 

Claro que tínhamos que ir lá picar o ponto.

O acumular de desnivel positivo seguia o ritmo dos km. Os 3000+ chegaram bem antes dos 40km e a cada escalada sentia-me mais proximo do limite. As cãimbras ameaçavam, até que me tive que sentar no chão para acalmar um quadricepe em pânico. 

Aos 43km, local do segundo e ultimo abastecimento (já vamos falar sobre isso daqui a pouco), estávamos com 3300+ e cheguei lá com 7h30. Apenas uma hora antes do corte! (também já falamos sobre isso). Por esta altura sabia que já não me escapava, até porque os restantes 12km seriam quase sempre a descer e tinha 2h30 para os fazer, mas claro que a descida não foi pêra doce. Não me lembro da ultima vez que tive que ponderar os tempos de corte!

Não era esta descida. Esta era fácil e foi no início. Mas queria meter esta foto do Fritz que está muito boa!

Os trilhos das descidas finais foram conquistados às encostas a toque de roçadora, não eram óbvios. O mato tinha quase sempre um palmo de altura e escondiam pedras, buracos e cepos de arbustos maiores que foram cortados. A concentração tinha que estar sempre ligada no máximo, o que, aliado ao desgaste brutal da prova até ali, tornava a situação muito perigosa. 

Cheguei à meta com 9h13 para os 55km e 3600+. Se eu alguma vez achei que ia apanhar uma dose destas... Foi no primeiro de Maio mas fartei-me de trabalhar! Adorei a prova, o percurso, todo o dia... Como disse no inicio, foram muitos meses na minha zona de conforto, da qual fui arrancado com toda a força. Já não estava habituado fisica nem psicologicamente a este tipo de provas, mas fez-me lembrar porque é que gosto tanto disto!

Outra do Fritz, que às vezes me obriga a correr nas subidas.

Agora, sobre a organização. Tenho lido por aí muitos comentários depreciativos sobre os abastecimentos, a dureza do percurso, os tempos de corte... 

Meus amigos, a sério? Estamos em 2021 e ainda não sabem ao que vão? Deixem-me só relembrar-vos que esta organização, a Spot Criativo, é a mesma que vos trouxe o inenarrável Pisão. A prova tem "sky" no nome, esta malta leva essa denominação a sério. As provas deles não são para qualquer um, ponto. Não quer dizer que qualquer pessoa não as faça, mas não são para o gosto de qualquer um. 

As marcações não são daquelas à prova de cegos, é preciso ir com atenção, mas não falham (eu nunca tive dúvidas no caminho). 

Os trilhos não são fofinhos, são rudes, selvagens, duros. Às vezes nem trilho há, são só algumas fitas que têm que ir seguindo. Convençam-se que vão subir a cada marco, antena ou pico que vejam pelo caminho, nem que tenham que descer imediatamente a seguir.

Os tempos de corte são apertados? Sim, são... O percurso é extremamente dificil e de progressão muito lenta, mas deixem-me lembrar-vos que o Carlos Ferreira, Jaguar, fez o percurso em 6 horas. Yep. Se não conseguirem cumprir é perfeitamente normal, isto não tem que ser uma coisa garantida. Faz parte do desafio. Ninguém quer uma medalha oferecida! 

Quanto à distância e número de abastecimentos, de facto, eram poucos. Apenas 2 para os 55km, um aos 22 e outro aos 43km. Talvez devido às regras mais restritas para evitar ajuntamentos, não confirmei isso, mas nas outras provas que fiz desta organização o número de abastecimentos foi sempre adequado. Mas a verdade é que todos sabíamos à partida quantos eram e onde estavam os abastecimentos, só tinhamos que nos preparar! Levavam mais comida, abasteciam em todas as fontes e ribeiros que fossem encontrando. Adaptem-se! 

Agora sim, a foto completa!

Está feita e doi-me o corpo todo. Objectivo cumprido! 


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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

2020. Um ano mau?

Acho que nunca tinha estado tão desejoso de fazer um post de fim de ano como neste fatídico 2020. Talvez porque precise de arrumar e compartimentalizar este ano esquizofrénico, pelo menos no que à corrida diz respeito, porque o resto terá que ser processado durante muito tempo. Mas como ninguém vem aqui para ler sobre "o resto", vamos lá à corrida!

Se 2020 fosse uma expressão, seria esta, captada pelo Fritz na Arada.

O meu ano começou completamente imerso no universo APT, do Armando Teixeira e do Paulo Pires. Tinha começado em Dezembro de '19 e cheguei a Março com apenas 4 meses de treino acompanhado. A verdade é que foram precisos apenas 4 meses para sentir que entrei num nível completamente diferente de corrida! Os treinos diários mudaram completamente, estava a correr menos volume e muito mais intensidade. Fiquei mais rápido e, para surpresa minha, com mais resistência! A nível de provas tive resultados que nunca pensei possíveis, como o 20º lugar do GP Fim da Europa, e sentia-me muito mais competitivo em provas de Trail, como no Ultra Louzantrail. Sentia-me confiante, a bater records de estrada em treinos, a competir a ritmos altos sem me poupar, e cada vez mais ansioso para o grande objectivo da primeira metade do ano: o meu 6º MIUT. 

Mas, então, aconteceu....COVID.


Tudo mudou. Para sempre. 

Apesar de tudo, nunca deixei de correr. Nunca papei aquelas teorias do início do pânico, quando as pessoas se começaram a virar umas contra as outras e até ir despejar o lixo era alvo de olhares de lado e três processos na polícia secreta. Continuei a correr, sempre sozinho é certo, perto de casa, mas continuei. Passei mais de dois meses sem ir à Serra, coisa que hoje em dia me arrependo muito, porque, não pondo ninguém em perigo, na verdade nada me dá mais saúde que fazer o que gosto. Mas fui correndo, com maior ou menor intensidade. 

Neste período de lock down ainda deu para fazer alguns desafios engraçados. Primeiro corri uma maratona aqui no quintal. Meti-me a correr à volta de casa e em menos de 4 horas (que era o tempo limite do desafio "km em casa") percorri 43km. A principal consequência desta parvoíce não foram as dores de pernas, foi dar-me ideias....

Abastecimentos de luxo

Assim que acabei a maratona do quintal decidi que ia correr 100km... à volta da minha urbanização!

Dei-lhe duas semaninhas para recuperar dos 43km e, no primeiro de Maio, saí de casa antes das 6 da manhã com o objectivo de correr 100km num percurso de 500 metros. 

Ainda hoje me admiro com o que consegui nesse dia. Certamente ainda a aproveitar o treino da APT, corri os 100km mesmo em cima das 10 horas, uns minutinhos abaixo, que era o meu grande objectivo. Foi um dia espetacular, com muitos amigos a passarem por aqui, uns a darem meia dúzia de voltas, outros chegaram mesmo a correr uma maratona completa! Este foi sem dúvida o feito de 2020 que mais me deixa orgulhoso. Se não leram o post, aconselho a dar uma vista de olhos (modéstia à parte). 

Segundos depois de parar o cronómetro, completamente drenado.

Ainda na senda de desafio covideiros, o terceiro que vos apresento foi talvez o que atingiu o valor mais alto na escala de parvoíce. Sem nenhuma razão aparente, numa sexta feira qualquer, decidi que no dia seguinte ia fazer um Every Single Street em Almeirim. O que é isso? Pois bem, passar a correr em todas as ruas de Almeirim. Assim foi, sem plano nenhum a não ser ir riscando ruas no relógio, saí de casa de madrugada sem fazer ideia onde me tinha metido. Foram 66km que me custaram horrores, com um calor bruto, sozinho, a andar para a frente e para trás numa senda obsessiva para pisar cada rua de Almeirim. Consegui! Mas... se estiverem a pensar numa parecida, esqueçam lá isso, metam-se antes a correr no quintal!

Pronto. Foi isto.

Quando as fronteiras começaram a abrir, o primeiro impulso foi logo voltar aos montes. Nem acredito que estive mais de dois meses sem lá ir, o regresso soube-me mesmo pela vida, até me emocionava. Primeiro umas corridas solitárias nos quintais do costume, Aire e Montejunto, mas, na ausência de provas, os planos mais ambiciosos começaram a fervilhar. Houve dois que se destacaram neste período pós lock down. 

O Trans'Aire e Candeeiros, em que na companhia do João Tomás, um amigo do Covid, atravessei a extensão do Parque Natural das Serras d'Aire e Candeeiros, num percurso de 66km em trilhos, muito interessante e mesmo na medida certa. 

Com o João, um excelente companheiro de aventuras.

E, umas semanas depois (acho que nesta altura andava a ir com sede de mais ao pote), A Travessia dos Picos do Açor ao Vale Glaciar, novamente na companhia do João, mas ainda com os extraterrestres Guilhermo Lourenço e João Lopes. Andar atrás destes três cavalos durante 76km e 4600+ foi o mais parecido com uma prova de endurance que tive durante todo o ano!


No meio das ideias que iam surgindo, defini um objectivo que não se limitará a 2020: ascender aos picos mais altos de cada distrito de Portugal continental, na companhia de um local, num percurso desenhado pelo mesmo. O projecto teve um inicio perfeito, com a subida à Sra. da Serra no Marão, na companhia do Bruno. Logo de seguida aproveitei a minha amizade com o Aníbal Godinho e passei um dia espetacular na Serra d'Aire, do distrito de Santarém. Tudo estava a correr bem e os planos de próximos distritos estavam já na calha, mas... aconteceu 2020 e lesionei-me. Passei o verão inteiro a meio gás, sem conseguir treinar.

No topo do Marão

Grande grupo.

Ainda no capítulo do "só em 2020", aproveitei para fazer mais algumas coisas que andava a adiar. Uma delas foi subir montanhas pelo sitio mais improvável: a estrada.

A primeira subida foi a clássica Lousã - Trevim, num percurso de 25km com 1000+. Para a segunda reservei o Santo Graal das subidas de estrada portuguesas: Covilhã - Torre. Esta com sensivelmente a mesma distância, 24km, mais com 1600 metros de subida. Adorei fazer ambas e de certeza que mais se seguirão. Há pelo menos mais 3 na Estrela que gostava de fazer. 

Na Estrela, aos 1993m.

Vista do Trevim.

Este foi também o ano das provas virtuais. Não fiz nenhuma daquelas de estrada, em que se corria num sitio qualquer, enviava-se o tempo e recebia-se uma medalha em casa. Não condeno, cada um tem as suas motivações, mas essas para mim não fazem sentido. Corri algumas no monte, em percursos abertos, marcados ou guiados por GPX. Dou muito valor à malta que meteu estas provas de pé e nunca me importei nada de pagar os preços simbólicos que pediam, mesmo que não houvesse bónus nenhum. Só o trabalho que tiveram a abrir e manter trilhos é meritório! 

Passei pelos Trilhos de Óbidos e Arnóia, pelos dois percursos brutais da XFun Race na Serra da Arada, o Grande Treino Secreto da Corredoura, pelo Alcanena Trail Serra d'Aire e Candeeiros e pelo Sartela Virtual, organizado pela malta de Alpiarça. Em todos percebi o empenho das organizações e em todos me diverti bastante! No fim deste post meto os links do Strava para cada um, se quiserem algum track é só pedir. 



Duas fotos do grande Fritz, na Arada.

O fim de 2020 trouxe ainda o luxo de treinar com neve. Dois fins de semana perfeitos proporcionaram dois treinos inesquecíveis na Estrela e na Lousã. Com a companhia de sempre, o João Miguel, corri em neve acabadinha de cair em dois dos meus sítios preferidos.

Estrela

Estrela

Lousã (nota-se muito a cara de felicidade?)

Lousã

Por falar em Estrela, e antes de entrarmos na parte dos números do ano, assinalar um facto: 2020 foi o ano em que treinei mais vezes na Estrela! Entre o estágio da APT, a volta no meu dia de anos, a travessia, o Estrelaçor, etc, foram 7 visitas à serra!

Aqui a meio dos 43km do Estrelaçor, onde arranquei um inesperado 6º lugar!

Quanto a números, mesmo com os 2 meses de confinamento e os 2 meses de lesão, acabou por não ser nada mau! Menos que 2019, mas isso já se esperava, até porque alterei a maneira de treinar.

Distância - 3840km
Desnível - 106 mil +
Tempo - 400 horas

Já os números aqui do blog foram uma vergonha. De longe o ano com menos publicações, 13 com esta. Os visitantes também cairam bastante, mas isso não me chateia muito. Tenho muito orgulho no que tenho aqui feito nos ultimos 8 anos, e mesmo com a popularidade dos blogs a cair a pique, não me vejo a abandonar este cantinho. Obrigado a vocês que aguentaram ler este até ao fim, aposto que são os mesmos que leram os outros 12 que escrevi este ano! 

Resumindo: foi um bom ano de corrida. Mas já passou. Agora, vamos lá a 2021!

Links para o Strava das actividades principais do ano:

GP Fim da Europa

Maratona em Casa

100km da Adema

Every Single Street Almeirim

Trans'Aire e Candeeiros

Travessia dos Picos do Açor ao Vale Glaciar

Subida Lousã - Trevim

Subida Covilhã - Torre

Distrito do Porto

Distrito de Santarém

Trail Óbidos e Arnoia

XFUN Race Arada

Trail Sartela Virtual

GTS

Alcanena Trail