As minhas corridas na estrada

domingo, 26 de novembro de 2017

Lavadeiras, Casaínhos, Almeirim e uma grande empreitada.

Podia fazer deste o post de resumo do ano 2017. Falta um mês para acabar, mas podia começar este post a dizer que 2017 foi o meu melhor ano de sempre! Aliás, devia ser "esse" post. Mas não. 2017 ainda tem uma ultima aventura guardada. Uma aventura que teria tudo para ser uma grande comemoração, não fossem as nuvens negras que se têm formado nas ultimas semanas... Bom, mas já lá vamos. 

Na verdade, se o ano acabasse em Novembro, mais precisamente ontem, teria sido perfeito! Foi dia de voltar a uma das minha corridas preferidas, o Grande Trail das Lavadeiras.
Na minha terceira participação no GTL decidi pela primeira vez não fazer a distancia maior (45km) e, devido à tal ultima aventura de 2017 que vos falarei à frente, participei no trail longo, distancia de 25km. 

Quem leu os meus relatos de 2015 e 2016 sabe que esta prova é um caso especial para mim. No balneário, enquanto tomava banho, ouvi uma conversa que podia resumir tudo o que há a dizer. "Não há rigorosamente nada que possas apontar a esta organização", dizia ele. E é isso mesmo, não há ali uma única ponta solta. Uma organização discreta que não tenta ser mais do que pode ser, um grupo de teimosos que face às limitações de terreno no Baixo Mondego arregaçou as mangas e criou um conjunto de trilhos que fazem inveja a muita prova "grande". E é aí que está o coração das Lavadeiras, nos trilhos. 

Não esperem longas subidas, a prova de 25km tem apenas 600D+. Felizmente o acumulado positivo não é prioridade para esta organização e não se lembraram de meter o pessoal a subir e descer o mesmo monte uma data de vezes, como tantas vezes se vê por aí. Esperem trilhos, muitos trilhos. Uns rápidos, outros muito técnicos e de progressão lenta. Esperem muita lama, terreno difícil e quilómetros de trilhos cobertos de folhas secas. Esperem saltar por cima de dezenas de troncos de árvores e outros tantos que vão ter que passar por baixo. Esperem acabar com as mãos arranhadas e todas sujas. Entrar por túneis que têm que atravessar dobrados, esperem degraus, escadas e pontes de madeira. Esperem correr a 4´/km a meio da prova e logo de seguida andar agarrados a troncos de árvores para não escorregar. Não esperem enganar-se no caminho, é impossível com a qualidade de marcações e a quantidade de voluntários e bombeiros com que se vão cruzar. Não esperem passar fome ou sede, são dos abastecimentos mais completos que já vi. Esperem ser surpreendidos. Se 2018 vai ser a vossa primeira vez garanto-vos que o Grande Trail das Lavadeiras vai superar todas as vossas expectativas e aposto que será muito mais difícil do que julgam. No fim, depois do banho quente tomado no pavilhão da Granja do Ulmeiro, tudo vai valer a pena enquanto estiverem a comer o belo almoço com bebida à descrição que os Pés Troikados preparam para vocês. 


Este ano juntou-se uma grande comitiva do Grupo Desportivo da Parreira rumo ao baixo Mondego, éramos 10 separados pelas três provas. A grande surpresa foi, comandados pela nossa pérola João Lopes (3º lugar da geral), um espectacular 2º lugar por equipas no trail de 25km! O primeiro troféu de equipas que ganhamos! Quanto ao João, o nosso Flecha, um miúdo de 21 anos que ainda agora conseguiu a qualificação para a final da Taça de Portugal nos Açores, marquem as minhas palavras: ainda vão ouvir falar muito dele.

Uma fotografia para a história! O Flecha é o que tem o troféu na mão
Quanto à minha classificação, acabou por ser melhor do que pensava, ficando pelo 12º lugar. Ainda não foi desta que consegui um top 10 :)

Duas semanas antes das Lavadeiras participei na minha outra prova do coração, os Trilhos de Casaínhos.

O melhor elogio que posso fazer a esta prova é dizer que não mudou rigorosamente nada desde a minha primeira de 4 participações. Não há que inventar, tudo ali funciona bem. O percurso, de 15km com cerca de 800D+, pouco ou nada mudou desde 2014. As mesmas duas subidas muito longas, os mesmos trilhos muito rápidos e divertidos. Os únicos chouriços cheios são os que encontramos na habitual feijoada servida num ambiente muito familiar à hora de almoço. Por alguma razão, ano após ano, esta corrida perto de Lisboa esgota. E já vai na 9ª edição! Sinto-me em casa, em Casaínhos, e desconfio que não sou o único. 

Quanto à minha disputa anual com o Sommer, o meu arqui-inimigo sazonal... bom, é como eu digo, as coisas em Casaínhos mudaram muito pouco durante os últimos 4 anos. Mas o melhor é lerem a brilhante crónica que ele escreveu sobre a batalha de 2017.


Ainda antes de Casaínhos, uma semana depois da UTAX, tive a minha 10ª (ou 11ª? Já não seu) participação na prova da casa, os 20km de Almeirim.


Foi a minha única prova de estrada de 2017, mas não podia falhar. Os 20 para nós, Almeirinenses, é mais do que uma simples corrida. O atletismo popular sempre foi um pilar muito importante de Almeirim e é natural que a história da cidade se confunda com os 20, afinal de contas a prova comemorou este ano a sua 31ª edição, numa terra que foi elevada a cidade apenas há 26 anos! É com um orgulho enorme que constato que é uma das corridas mais conceituadas e respeitadas do país, mesmo não tendo nada a ver com a organização. 

Apenas uma semana após os 110km do UTAX, esta foi das minhas participações mais sofridas nos 20. Era suposto fazer uma prova tranquila, lá para trás, mas.....enfim, vocês percebem. Comecei num ritmo ambicioso que aguentei apenas até aos 15/16km. Foi quando levei a real marretada Almeirinense. E, ui, se deu forte! Os últimos 5km foram um sofrimento e arrastei-me até à meta quase um minuto por km mais lento do que nos primeiro 10km. Cruzei o pórtico com 1h27, muito longe da 1h21 que consegui há uns anos. Mas isso interessa pouco. Foi mais uma manhã muito bem passada a correr em casa, este ano num percurso novo que achei ainda melhor que nas outras edições.

Claramente esta foto foi nos primeiros 10km. No final já me ria muito pouco.
Foram assim 3 das 5 semanas que passaram desde o UTAX, no fim de Outubro. Teria sido um final de ano perfeito se por aqui ficasse. Três provas muito queridas para mim, nada de grandes aventuras, e agora seguia-se um Dezembro tranquilo a preparar 2018. Mas não. Ainda há isto:


Pois é. É já na próxima meia noite de sexta para sábado que vou iniciar mais uma grande aventura. A essa hora partirei da Lagoa das Sete Cidades, na ilha de São Miguel, para 105km que me irão levar praticamente até à outra ponta da ilha, nas Furnas. Uma prova que tem tudo para ser espectacular, mas que claramente vem numa má altura do ano para mim. 2017 já vai longo, com 3 provas de 3 dígitos e um record de quilómetros e de desnível positivo. Claramente o mês de Dezembro devia ser de reset, mas, num impulso, a cerca de um mês do UTAX numa altura que estava num pico de forma e achava que conseguia tudo, decidi inscrever-me em mais uma aventura. 

Mas o que me preocupa mais nem é a falta de descanso. Desde a Lousã que ando muito limitado. Durante a prova começou a doer-me o tendão de Aquiles na zona do calcanhar de um pé. Não me impede de correr, mas tenho andado a ignorar a dor pra ver se passa. Estou com um peso na consciência porque sei que está aqui qualquer coisa errada e meter-lhe mais de 100km em cima não há-de fazer muito bem. Se fosse uma prova em Portugal continental certamente não iria, mas com viagens e estadia compradas.... Enfim, vamos lá ver o que dá. 

Pronto, lá tiveram que levar com um parágrafo de choradeira! 

Bom, o post de resumo de 2017 terá que ficar para daqui a umas semanas. Voltamos a falar daqui a 7 ou 8 dias. Desconfio que vou ter uma boa história para contar!